sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ibope: Apesar de perder eleitores, Dilma seria reeleita no primeiro turno

No cenário em que enfrenta o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador Eduardo Campos (PSB), a intenção de voto da presidenta caiu de 43% de março para 39%

por Redação — publicado 17/04/2014 18:37, última modificação 17/04/2014 18:59

dilma

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira 17 mostra que a presidenta Dilma Rousseff (PT) perdeu eleitores. De acordo com a consulta, divulgada pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo, as intenções de voto caíram em todos os cenários.

No cenário em que enfrenta o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a intenção de voto da presidenta caiu de 43% que apresentava em março para 39% agora, em abril. Já no cenário que inclui pré-candidatos dos pequenos partidos, Dilma foi de 40% de intenções de voto em março para 37% em abril.

Já o senador Aécio Neves (PSDB) oscilou de 13% para 14%, enquanto Eduardo Campos (PSB) se mantém com 6%, e o pastor Everaldo (PSC) foi de 3% para 2%. A soma dos demais pré-candidatos que era de 1% em março, agora dá 3%.

Ainda assim, se a eleição fosse hoje, a presidenta seria reeleita no primeiro turno, pois seus 37% de intenção de voto superam a soma de todos os seus adversários (25%). Além disso, as taxas de eleitores que pretendem votar em branco ou anular (24%) ou que não sabem dizer em quem votarão (13%) seguem altas.

No cenário em que enfrentaria Dilma e Campos, Aécio foi de 15% para 16%. Já Campos passou de 7% em março para 8% em abril. A taxa de branco e nulo foi de 25% para 26%.

Quando Eduardo Campos é trocado por Marina Silva como candidata do PSB, a intenção de voto em Dilma também cai. No cenário com os nanicos, a petista foi de 40% para 37%, Marina passou de 9% para 10% (enquanto Campos tem 6%), Aécio foi de 13% a 14%, o pastor Everaldo permaneceu com 2%.

Segundo turno. Quando o assunto é segundo turno, a presidenta continua ganhando de todos os adversários: Dilma venceria Aécio por 43% a 22%; Marina por 41% a 25%; e Campos por 44% a 17%.

A pesquisa foi feita com base em 2.002 entrevistas, realizadas entre 10 e 14 de abril, em 140 municípios de todas as regiões do País. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Graça Foster explica aos senadores compra de Pasadena

Parlamentares, jornalistas e assessores lotaram a audiência que o Senado realizou, nesta terça-feira (15), para ouvir a presidenta da Petrobras, Graça Foster, sobre denúncias de prejuízos para a estatal no negócio de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo ela, o planejamento da compra foi feito numa época em que era necessário ampliar o parque de refino da empresa para processar principalmente o óleo pesado extraído do Campo de Marlin.

A presidenta da Petrobras, Graça Foster. Foto: Tânia Rêgo/ABr

De acordo com Graça, o óleo pesado vale menos e é preciso agregar valor ao produto, o que requer uma refinaria mais complexa. "Seria interessante refinar esse petróleo fora. A orientação era expandir a capacidade de refino em sintonia com mercados locais. Tínhamos que agregar valor ao óleo pesado", explicou.

A executiva lembrou que a refinaria está no maior mercado consumidor de gasolina no mundo, que é os Estados Unidos, onde são consumidos 8,5 milhões de barris por dia. O Brasil consome 736 mil; o Japão, um milhão.

O negócio da Petrobras nos Estados Unidos foi questionado porque, em 2006, a companhia pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria de Pasadena, um valor bem superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US $42,5 milhões. Dois anos depois, uma decisão judicial obrigou a estatal brasileira a adquirir os outros 50% por mais de US$ 800 milhões.

A presidente da Petrobras admitiu que “não há como reconhecer hoje ter sido um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil”, disse, destacando que Pasadena é apenas um dos negócios da Petrobras. “Um bom projeto no início e que se transformou num projeto de baixa probabilidade de retorno”, afirmou.

Graça Foster disse, no entanto, que a refinaria atualmente opera com segurança e, nos três primeiros meses deste ano, apresentou resultado positivo, graças principalmente à melhor performance operacional.

Omissão

Em 2006, a petrolífera nacional pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria de Pasadena, um valor superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões. Dois anos depois, um processo arbitral nos Estados Unidos a levou a adquirir os outros 50% por US$ 820 milhões, devido a um contrato assinado, segundo o qual, se houvesse desentendimento entre os sócios, a Petrobras seria obrigada a ficar com a outra metade.

Segundo a presidenta da Petrobras, quando decidiram fechar o negócio, os conselheiros não foram informados dessa cláusula que obrigava a compra dos outros 50% da refinaria. “Não seguiu para o Conselho (Administrativo) o resumo executivo completo. Não havia menção a cláusulas importantes. Foi aprovada a compra de 50% de Pasadena, uma parceria com o grupo Astra, uma divisão de riscos. Esse foi o objeto do negócio”, explicou, referindo-se às cláusulas que garantiam rentabilidade de 6,9% à sócia Astra Oil e à obrigação de compra da metade da sócia, em caso de discordância sobre investimentos.

Números positivos

Ao apresentar números da empresa, ela disse que a Petrobras teve 1% de aumento no lucro líquido de 2012 para 2013, ao passo que outras concorrentes, como Exxon e Shell, registraram queda de 27% e 39%, respectivamente.

“Elas perderam por causa da queda de produção, da queda de mercado e dos custos elevados. Aliás, esse é um grande problema de todos nós que atuamos no setor”, afirmou Graça Foster, enfatizando que os níveis de investimento estão mantidos no mesmo patamar de outras gigantes do setor e a previsão de produção de 4,2 milhões barris de óleo por dia em 2020 está mantida.

Após a apresentação da presidenta da Petrobras, os senadores fizeram o debate esperado. A oposição criticando a empresa e os governistas defendendo a Petrobras. O senador Aníbal Diniz (PT-AC) apresentou os números que demonstram crescimento de investimentos, produção e lucro da empresa no período de 2002 a 2012. “Números incontestáveis que demonstram que a diretoria tem esmero na condução da empresa”, disse o senador.

Ele disse que há excesso de zelo da presidenta da Petrobras ao admitir que a compra de Pasadena foi um “mau negócio”. Segundo ele, se o negócio hoje parece pouco atraente, na época, através do Conselho (Administrativo), pautado por informações das consultorias, havia viabilidade.

O senador ainda criticou a oposição de “querer bancar de profeta do fato consumado.”

De Brasília
Márcia Xavier
Com Agência Senado

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Oposição tem medo da CPI ampla

Por Miranda Muniz

Recentemente, as ditas “oposições” conseguiram o número de assinaturas para instaurar a tal CPI da Petrobrás, sob o argumento da necessidade de investigar a compra da refinaria da Pasadena (EUA) e outras supostas irregularidades que teriam ocorrido na empresa.

Escondendo por trás desse argumento falacioso, já que todos esses fatos já estão sendo investigados pelo Ministério Público, Polícia Federal e CGU (Controladoria Geral da União), o verdadeiro sentido da referida CPI seria transformá-la num instrumento de campanha política, algo danoso à própria empresa.

Entretanto, por falta de uma articulação mais efetiva, a base governista não conseguiu barrar a tal CPI. Daí, a base resolveu transformar o “limão numa limonada” e, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a maioria dos membros resolveram ampliar a CPI, para também investigar o chamado “Cartel do Metrô de São Paulo”, irregularidades no Porto de Suape e denúncias envolvendo o Ministério da Ciência e Tecnologia, na gestão do PSB.

Isso foi o suficiente para as “oposições” entrarem em pânico. Mesmo antes do plenário da CCJ apreciar o requerimento da CPI e temendo que fosse derrotada com sua ampliação, um grupo de senadores foram até o Supremo Tribunal Federal, no intuito de acioná-lo para evitar que a maioria dos senadores pudesse aprovar uma CPI ampliada. Essa “marcha cívica e ética” até o STF, foi liderada pelos senadores Aécio Neves (PSDB) e Agripino Maia (DEM), entre outros senadores demo-tucano, de braços dados com os senadores Randolfo Rodrigues (PSOL), Pedro Taques e Cristovão Buarque (ambos do PDT).

Depois, na reunião da CCJ, quando pressentiram a derrota, bateram em retirada do plenário, denunciando “golpe”!

O mais engraçado, é que o PSDB esquece que, em 1988, o seu atual guru Fernando Henrique Cardoso (FHC), na época senador do PDMB, defendeu e apoiou a aprovação de uma CPI como objetivo identificar responsabilidades “na administração pública” e em decorrência “de qualquer tipo de corrupção". Portanto, uma “CPI ampliadíssima”, nos mesmos moldes da que foi aprovada na CCJ e que agora, o PSDB de FHC e as demais “oposições” alegam que seria “golpe”.

A palavra final sobre essa polêmica será dada pelo Supremo Tribunal Federal.

Para a “oposição” a CPI só pode valer apenas para questões que envolva diretamente o governo federal. Investigar o “Propinoduto tucano do metro de São Paulo”, que, segundo o promotor de justiça que está apurando o caso, Marcelo Mendroni, envolve “milhões, talvez bilhões”; o superfaturamento do Metro do Distrito Federal (sob o governo do demo José Roberto Arruda) e as denúncias envolvendo o Porto de Suape, na gestão do neo-oposicionista e presidenciável do PSB Eduardo Campos, nem pensar!

Assim, fico bastante claro o caráter ético e moral “seletivo” dos participantes da “marcha cívica até o STF”. Ou como diz o ditado cuiabano: “é o rabudo querendo falando mal de cotó.”

Portanto, entendo que o melhor, até por economia de tempo e dinheiro, é aproveitar a CPI e fazer uma ampla investigação, como bem afirmou o presidente do Senado Renan Calheiros “ora, como o Congresso vai investigar a Petrobrás, e eu acho que deve investigar sim, e não vai investigar o Cartel do Metro de São Paulo, o Porto de Suape, a corrupção que houve com o dinheiro público no Ministério de Ciência e Tecnologia, que pagou inclusive marqueteiros nas campanhas eleitorais? Vamos aproveitar e investigar tudo”.


Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, diretor de comunicação da CTB/MT – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e secretário sindical do PCdoB-MT

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O xadrez eleitoral de 2014

Editorial do jornal Brasil de Fato:

A eleição para a Presidência da República do Brasil em 2014 aos poucos vai ganhando contornos de uma disputa acirrada e decisiva. Acirrada porque as forças neoliberais jogam todas as suas fichas na derrota da presidenta Dilma e, por isso mesmo, nesse momento, fazem uma forte ofensiva contra a imagem do governo federal ao pautarem a CPI da Petrobras. E, decisiva, porque o resultado das eleições presidenciais influenciará diretamente na correlação de forças na América Latina.

O neodesenvolvimentismo vigente nos governos Lula e Dilma não politizou e nem inseriu suas conquistas socioeconômicas em torno de um projeto político vinculado à necessidade de organização de uma base social de massas. Melhorar a vida do povo evitando ao máximo o conflito de classes, nisso consiste o caráter ideologicamente conservador do neodesenvolvimentismo. Não é para menos. Hegemonizada pela burguesia interna e institucionalmente pelo PMDB e aliados, a frente neodesenvolvimentista tem como base um sistema político carcomido, avesso às reformas estruturais pendentes na sociedade brasileira.

O fato é que os governos Lula e Dilma ao não demarcarem suas conquistas dentro de um projeto político com conteúdo ideológico de esquerda, abriram espaço para que as candidaturas oposicionistas disputem com relativa facilidade parte do eleitorado beneficiado com as políticas neodesenvolvimentistas. Mais do que isso. O neodesenvolvimentismo colocou novos personagens na cena política brasileira. Trata-se da recomposição da classe trabalhadora e de uma nova geração de jovens que emergiu nos últimos anos.

A presidenta Dilma e sua candidatura devem priorizar responder às demandas destas forças sociais reoxigenadas que colocam e atualizam demandas históricas da classe trabalhadora. Novas forças sociais que certamente têm o potencial de recolocar na agenda da sociedade brasileira as reformas estruturais pendentes. Não existe vácuo na política. Se a candidatura da presidenta Dilma e seu programa de governo não conseguirem abrir um canal de diálogo com estas forças sociais renovadas, as candidaturas oposicionistas poderão canalizar eleitoralmente, mesmo que na base da retórica, o desejo de aprofundamento das mudanças latente na sociedade brasileira.

A tragédia disso tudo é a pobreza de ideias nesse momento que precede as eleições presidenciais. O pré-candidato do PSDB, o tucano Aécio Neves e seu cabo eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, propõem uma agenda regressiva, neoliberal, para o Brasil com o tal choque de gestão, independência do Banco Central e privatizações. Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (REDE) até o momento estão presos na retórica de que é preciso pensar o Brasil, debater programa, mas de concreto não apresentaram nada. Já a presidenta Dilma encontra-se num dilema. O aprofundamento das mudanças requer medidas estruturais no campo da economia, da distribuição de renda, da democratização da propriedade da terra etc., que certamente entram em rota de colisão com interesses de classes de seus aliados conservadores que giram em torno do PMDB.

Mesmo assim, a tendência é que estas eleições sejam mais politizadas e polarizadas. Não por causa dos candidatos que, sem dúvida, têm preferência pelo marketing eleitoral, mas devido à convergência de dois elementos: novos fatos e iniciativas políticas ocorrerão até outubro e por causa do desejo de aprofundamento das mudanças, latente na sociedade brasileira.

Nesse sentido, recompor a força da esquerda brasileira e canalizar o potencial organizativo da jovem classe trabalhadora e desta nova geração de jovens que saiu às ruas em junho, são tarefas prioritárias para os próximos meses. E o ponto de partida para isso é buscarmos pautar as eleições na perspectiva de combinarmos a luta de massas com a luta pela constituinte do sistema político.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Prefeita em exercício de SP se reúne com Fórum das Mulheres Trabalhadoras




Na manhã desta terça-feira (8), a prefeita em exercício de São Paulo, Nádia Campeão, participou de uma reunião promovida pelo Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT), na sede da CTB na capital paulista.

Nádia ouviu as demandas das sindicalistas e falou sobre as ações da administração municipal neste sentido.

“Avaliamos que para a luta em defesa da emancipação das mulheres trabalhadoras ter repercussão nós devemos fazê-la com mais eficiência em São Paulo”, frisou a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira ao fazer a abertura da mesa de debate.

Segundo a representante da UGT, Cássia Macari, o propósito da audiência com Nádia é justamente o de levar o fórum – composto pela FS, UGT, CTB e NCST – um espaço para fazer o debate sobre as demandas das trabalhadoras.

Pela NCST, Soninha, destacou que a primeira Delegacia da Mulher foi instalada no estado de São Paulo ela acredita que é preciso construir mais políticas públicas para estreitar os laços das centrais sindicais com a prefeitura e falou sobre as campanhas que estão sendo feitas em Brasília no combate à violência contra a mulher no transporte público.

Carmelita Sousa , representando a FS, falou sobre as demandas das mulheres e da importância do trabalho conjunto juntas em prol da defesa das mulheres.

As sindicalistas reivindicaram a criação de um fórum, pela prefeitura de São Paulo, onde todas as centrais sindicais participassem, para discutir a política implementada “trazer a contribuição da classe trabalhadora para discutir autonomia econômica e relações compartilhadas e a violência que as mulheres enfrentam em seu cotidiano”.

Em sua exposição, Nádia Campeão, avaliou que as mulheres avançaram, mas ainda tem um caminho complexo. Sobre o conservadorismo da sociedade brasileira ela citou a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no qual apontou que 65,1% da sociedade culpa a mulheres vítimas da violência sexual por usarem roupas curtas “isso deixou todo mundo de cabelo em pé”, enfatizou. Após a repercussão do estudo o dado foi corrigido para 26%.

Ela abordou em sua fala a presença das mulheres nos cargos de responsabilidade, nas diversas profissões. “Quando comparamos com países da América do Sul têm mais igualdade na questão de participação política das mulheres, para não falar em países da Europa que é quase meio a meio”.

“Estamos procurando abrir mais espaços para esses caminhos da mulher e somar mais com essa luta” destacou ao falar sobre a criação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Ela destacou que é essencial mater diálogo com as mulheres dos sindicatos e das centrais. "Acho a ideia do fórum muito boa queremos que a secretaria seja forte que represente anseios"

Nádia propôs uma ação em resposta à violência no transporte público. “Eu topo ir”, afirmou. Ela sugeriu postos de denuncia nos terminais para que as denúncias de abuso sejam feitas no momento do fato. Podemos cobrar que a prefeitura e o governo do estado fizessem essa campanha com os movimentos.

No fim do encontro Nádia Campeão se comprometeu a levar as reivindicações apresentadas na reunião para a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Denise Motta Dau. “essa parceria é muito bem vinda posso levar essas e outras questões para examinarmos e fazer o contato mais específico com a secretária”, disse.

Portal CTB

Vala Comum: documentário revela o destino dos mortos pela ditadura no Brasil

Em 1994, João Godoy realizou 'Vala Comum', sobre 1.049 ossadas encontradas em uma cova no cemitério Dom Bosco, criado na gestão Paulo Maluf.

Gérson Trajano


Vala comum é uma cova normalmente localizada em cemitérios onde um conjunto de cadáveres não identificados é enterrado sem nenhuma cerimônia, sem o conhecimento dos familiares e sem nenhum registro oficial. Vala Comum é o titulo do filme que João Godoy realizou em 1994 sobre 1.049 ossadas encontradas em uma cova no cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, periferia de São Paulo.

Em princípio, seis presos políticos deveriam estar enterrados nessa vala: Denis Antonio Casemiro, Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva, mas a exumação mostrou o indício de outros desaparecidos políticos.

O documentário de Godoy traz os depoimentos Egle Vannuchi Leme, Felícia Oliveira, Gertrud Mayr, Gilberto Molina e Ivan Seixas. Gilberto é irmão de Flávio Molina, morto em 1971, Ivan é filho de Joaquim Alencar Seixas, que foi preso e torturado junto com o seu pai, e Gertrud é mãe de Frederico Mayr. Já Egle Leme é mãe de Alexandre Vannuchi e Felícia é mãe e Isis Oliveira. Todos assassinados pelo governo militar instalado no Brasil em 31 de março de 1964.

Emocionada, Egle conta que só ficou sabendo que Alexandre estava preso através de um telefonema anônimo. “Foi o meu filho caçula, José Augusto, quem atendeu o telefone, que dizia que Lê – era assim que a gente o chamava lá em casa – estava preso. Se não fosse esse telefonema, nunca saberíamos o paradeiro do meu filho. Ele seria mais um desaparecido político”.

Vannuchi foi detido, torturado e morto nas dependências do DOI-Codi, em março de 1973. Estudante do curso de Geologia na Universidade de São Paulo (USP), militante de esquerda, ligado à Ação Libertadora Nacional (ALN), tinha 22 anos quando foi morto. A versão oficial, divulgada pela imprensa, dizia que ele teria sido atropelado por um caminhão na esquina da rua Bresser com a avenida Celso Garcia, no momento em que tentava fugir de um cerco policial.

“Eles me deram até a placa do caminhão e o nome do motorista, mas testemunhas viram meu filho ser arrastado da cela em que foi torturado, todo ensangüentado”, diz Egle.

Ivan Seixas, filho de Joaquim Seixas, diz que seu pai foi o primeiro preso político a ser enterrado em Perus. “Ele era militante do sindicato dos Petroleiros lá no Rio de Janeiro e quando houve o golpe ele chegou em casa muito exaltado. Neste mesmo ano o regime já mostrava a sua cara. 18 pessoas foram mortas sob tortura, mas a versão oficial é de que elas se suicidaram”, afirma.

Pai e filho foram presos em São Paulo no dia 16 de abril de 1971 na altura do número 9.000 da rua Vergueiro. Foram levados para o Doi-Codi. Nesse mesmo dia, à noite, os militares prenderam sua mãe e suas duas irmãs, que ficaram encarceradas por um ano e meio.

No dia seguinte, 17, os jornais publicaram uma nota oficial com a notícia da morte de Joaquim fora morto durante um tiroteio com a polícia. "Isso foi uma farsa, meu pai foi morto sob tortura", afirma Ivan.

Ao mesmo tempo em que são mostrados os depoimentos, o documentário intercala cenas dos presidentes militares prometendo cumprir as leis, promover o bem geral e a integridade do brasileiro. O filme inclui também cenas de uma propaganda oficial que pretendia vender a imagem de uma país forte e que estava se desenvolvendo. Um "pais que vai pra frente".

Tortura e morte – A partir dos anos 1970 a ditadura civil-militar aperfeiçoa o seu aparato repressivo contra os opositores ao regime. A tortura torna-se prática corriqueira nos interrogatórios e várias pessoas contrárias ao governo são assassinadas. Na maioria dos casos, as mortes são ocultadas e os corpos enterrados como indigentes em valas clandestinas.

O cemitério Dom Bosco foi construído pela prefeitura de São Paulo, em 1971, na gestão de Paulo Maluf e, no início recebia cadáveres de indigentes e vítimas da repressão política. Entidades de defesa dos Direitos Humanos e familiares dos desaparecidos já haviam denunciado a existência de uma vala comum na segunda metade dos anos 1970, mas ela só foi descoberta em 4 de setembro de 1990, na administração da prefeita Luiza Erundina.

A vala encontrada no Dom Bosco é uma escavação que possui a largura de uma retroescavadeira, com cerca de 32 metros de comprimento por 3 metros de profundidade, onde foram depositados sacos plásticos com inúmeras ossadas humanas.

Aliados farão novo apelo a Maggi e PMDB defenderá Julier durante reunião quinta-feira

Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após reunião do dia 31
Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após reunião do dia 31

Representantes de 12 partidos que estão na órbita do governador Silval Barbosa (PMDB) e apoiam a presidente Dilma Rousseff (PT) participam na próxima quinta-feira (10.4), em Cuiabá, de reunião para definição de nomes que disputarão as eleições de outubro.

Serão colocados os postulantes aos cargos de deputado estadual e federal, senador e governador. A grande expectativa é com a possibilidade de o senador Blairo Maggi (PR) confirmar sua pré-candidatura do governo.

Sobre isto, o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) ainda mantém cautela. Mas ele não descarta que o senador acabe cedendo às pressões de partidos aliados para que comande o palanque de Dilma no Estado sendo candidato.

“Ele não confirmou ainda publicamente (se será candidato), mas muitos dizem por aí que ele já decidiu, que ele já confirmou. Vamos aguardar o final dos prazos. Enquanto isso iremos definir nomes fortes e capazes dentro destes 12 partidos que formam nossa aliança”, afirmou.

Segundo apurou o Olhar Direto, o PMDB vai apresentar o nome do ex-juiz Julier Sebastião como postulante ao governo do Estado. Aliás, esta manifestação foi feita publicamente pelo próprio Carlos Bezerra na semana passada.

“O PMDB é o único partido preparado para governar o Brasil e Mato Grosso”, disse Bezerra durante o ato de filiação do ex-magistrado ao PMDB, ocorrido em Brasília.

Ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, os partidos encomendaram uma pesquisa interna para avaliar o potencial dos nomes em disputa, entre eles de Julier, o último pré-candidato ao governo que teve seu nome oficialmente lançado.

Outro ponto que pode pesar na decisão de Blairo Maggi é o resultado da pesquisa Vox Pópuli divulgada semana passada em que o senador Pedro Taques (PDT) obtém ampla vantagem sobre outros nomes em uma eventual disputa sem a presença de Maggi no pleito. Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após a reunião do dia 31 com aliados.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

CPI da Petrobras é o novo "mensalão"


Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


Já está claro: a CPI da Petrobras é o novo Mensalão.

Joaquim Barbosa e companheiros estão de fora desta vez, mas o propósito é exatamente o mesmo: tirar o PT do poder.

Como no Mensalão, a mídia dá um espaço desmedido ao assunto, e mostra vontade zero em esclarecer as coisas.

Ao contrário, o esforço é claramente manipular dados que se ajustem a um quadro em que Dilma e a Petrobras apareçam em situação francamente desfavorável.

Num vídeo, Jabor parecia apoplético. Vomitava números e pedia prisão. Um deputado tucano anda falando em impeachment de Dilma.

Quanto mais as coisas mudam, menos mudam, como se observa ao comparar o Mensalão com a CPI. É o mesmo desespero inescrupuloso da oposição: na falta de votos e de ideias capazes de entusiasmar os eleitores, cede à tentação de um escândalo salvador.

É o caminho mais fácil, mas o menos eficiente, como o Mensalão mostrou.

A voz rouca das ruas, no Mensalão, não acompanhou os magníficos votos dos senhores ministros do STF.

Na verdade, os brasileiros mais simples ficaram com a sensação de que, por trás dos discursos empolados dos juízes, havia uma tentativa de lhes bater a carteira.

Imaginar que com a Petrobras o desfecho possa ser diferente é o triunfo da esperança.

Dilma é uma mulher de sorte. Ela poderia ser atacada pela oposição com base na desconcertante desigualdade que ainda reina no Brasil. Poderiam brandir contra ela a paralisia em relação à regulação da mídia ou a uma reforma tributária que corrija o peso avassalador que pesa sobre os mais pobres pelo foco nos impostos indiretos.

Mas não.

Preferem o circo, a pantomima, o engodo.

Não enganam o povo. Enganam a si mesmos. O povo mudou. Eles continuam iguais. Sorte de Dilma.

Vale a pena brigar com os números?

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

A turma que tem simpatia por Dilma e pelo PT ficou ressabiada com a última pesquisa Datafolha. E há motivos pra isso. O “Tijolaço” e o site 247 – antes mesmo dos números serem divulgados – mostraram que o instituto da família Frias incluíra no questionário muitas perguntas da tal “agenda negativa” (Petrobrás, obras da Copa etc…) e que isso certamente influenciaria as respostas sobre intenção de voto. Não deu outra. Dilma caiu 6 pontos. Só que Aécio e Eduardo Campos não se moveram.

O blogueiro Eduardo Guimarães fez mais: mostrou que a “Folha” usou agora método que condenou em 2010. Naquela oportunidade (maio de 2010), o Sensus já indicava que Dilma passaria Serra, e a “Folha” seguia fiel – ajudando o tucano a segurar o primeiro lugar. E a grande ironia: pra se defender, a “Folha” (em 2010) acusou o Sensus de fazer um questionário muito extenso, com perguntas sobre economia, o que teria favorecido Dilma de forma artificial.

Edu faz bem em relembrar o caso. Mas acontece que, em 2010, algumas semanas depois de bater boca com o Sensus, a “Folha” pôs o rabo entre as pernas e mostrou Dilma em primeiro lugar.

Ou seja, nada impede que – agora, em 2014 - daqui a duas ou três semanas outros institutos apontem a mesma tendência: Dilma cai um pouco, e aumenta o “não-voto” (brancos, nulos e abstenções). A “Folha” pode ter forçado a mão? Quem sabe… Mas se Dilma não tem 38% (como mostrou o jornal), estaria então com 40% ou 41%. Além do mais, num mercado tão competitivo (com outras pesquisas à disposição), se houve “erro” isso logo ficará claro.

O certo é que os apoiadores de Dilma e Lula não fazem bom negócio ao ficarem brigando com os números, via internet. Reparem que Rui Falcão, presidente do PT, deu longa entrevista nesta segunda à mesma “Folha”, e não “denunciou” a pesquisa. Apenas, fez uma leitura realista: apesar do bombardeio das últimas semanas, a petista segue vencendo em primeiro turno.

A pesquisa, aliás, se pode servir de alerta para os dilmistas, é um sinal muito mais preocupante para a oposição. Aécio e Eduardo não são vistos como alternativas para comandar a “mudança” que é o sentimento majoritário do eleitorado. A maioria acha que Lula/Dilma são a melhor opção para operar a mudança desejada. Há portanto um sentimento contraditório entre mudança e continuidade. Sobre isso, e sobre a eleição que imagino será muito disputada, já escrevi aqui (há menos de duas semanas).

Então, humildemente, acho que os apoiadores do lulismo deveriam sim reconhecer que há um relativo mal-estar entre os eleitores – especialmente nas grandes cidades. A mídia velhaca faz o serviço sujo, sem dúvida, poupando os tucanos em São Paulo (falta d´água) e Minas (denúncias de corrupção sempre escondidas). Mas há também dados da realidade: Dilma não domou os juros como prometera. O governo dela tem – como única marca – a continuidade dos programas sociais que vinham de Lula. O país não piorou. Mas parou de melhorar. Essa parece ser a sensação geral, mesmo nas periferias e cidades mais pobres – sempre propensas a votar no PT.

Aliás, se os apoiadores mais afoitos de Dilma ouvissem o que já escutei (em “off”) de petistas graúdos, ficariam menos dispostos a brigar com os números.

A impressão geral (entre lideranças do partido) é que a vitória deve vir, “apesar” dos erros do governo. Um desses petistas disse, literalmente: “a eleição será dura, mas podemos contar sempre com a oposição; ela é tão ruim, mas tão ruim, que faz o serviço pra gente”.

Será?

O DataFolha, além da queda de Dilma, mostra o grau de importância dos apoios de Lula, FHC (e Marina) a seus respectivos candidatos. FHC só empolga 12% dos eleitores. Enquanto 37% dos entrevistados votariam no candidato indicado por Lula.

Quem, em tese, pode complicar o jogo para Dilma? Eduardo Campos. Ele é desconhecido por 42% dos eleitores. E tem 10% das intenções de voto. Na medida em que se torne mais conhecido, é possível que alcance algo em torno de 15%. Aécio também tem potencial para chegar pelo menos a 20%.

Para isso, os dois precisam conquistar o coração do eleitor que não quer votar. Convenhamos: com FHC ao lado, fica difícil pra Aécio. Já Eduardo, se tiver Marina por perto, pode surpreender – sim (18% estão dispostos a votar num nome indicado por ela). Mesmo sem palanques fortes nos Estados, Eduardo tem potencial para crescer.

Imaginemos, portanto, uma eleição em que - depois de iniciado o horário gratuito – Aécio chega a 20%, Eduardo a 15% e os demais candidatos de oposição somados alcançam 5%. Dilma teria que obetr 40% ou 41% dos votos pra faturar no primeiro turno.

Hoje, com todo bombardeio contrário, ela tem na pior das hipóteses 38%. Com uma boa estratégia de comunicação, e o apoio de Lula, pode voltar aos 42% ou 43%? Pode. Mas há o imponderável, há a economia, há a Copa…

Por isso tudo, hoje eu apostaria numa eleição em dois turnos. Com vitória do lulismo (até pelas dificuldades da oposição em construir um novo discurso). O eleitor, em sua maioria, quer mudança. Mas não quer andar pra trás.

sábado, 5 de abril de 2014

Moralismo a serviço da imoralidade

Na iminência do debate eleitoral, a canalhocracia se esforça para grudar em Dilma Rousseff a mancha da corrupção

por Ciro Gomes — publicado 05/04/2014 05:43

Certa feita, fui à sala do presidente da República comunicar que iria romper com ele e com seu partido. Denunciei, entre outras razões, a corrupção sistêmica instalada em seu governo. Na data era o Ministério dos Transportes. O responsável, um quadro do PMDB, claro. A resposta me frustrou muito, mas nunca esqueci. “Ciro, um dia você vai sentar nesta cadeira”, me disse, em tom acadêmico e apontando para a cadeira presidencial. “E aí vai ver que o presidente que não contemporizou com o patrimonialismo, caiu.”

Essa memória me voltou por esses dias com muita força a propósito do esforço que a picaretagem tupiniquim faz para imputar em Dilma Rousseff a tisna da corrupção. É, sem dúvida, a agitação moralista a serviço da genuína imoralidade. Ou, em termos mais populares, são os corruptos na tentativa de arrastar para o seu universo podre uma pessoa clara e insofismavelmente decente.

Quem me acompanha sabe que não sou o maior entusiasta do atual governo. O leitor mais atento conhece minha opinião sobre o grande despudor com que o condomínio PT-PMDB – sejamos justos, partes grandes dele – se entranha nas tetas públicas. Mas não é possível calar diante do despudor com que a canalhocracia assesta suas baterias contra Dilma Rousseff na iminência do debate eleitoral.

E a resposta dos governistas mais apressados apenas provará ao povo brasileiro, especialmente aos jovens, aquilo que o preconceito generalizado afirma para gozo dos plutocratas: não há vida limpa na política brasileira. Vamos investigar também, além da roubalheira na Petrobras, a roubalheira no metrô de São Paulo e a roubalheira no porto de Sua-
pe, em Pernambuco. Teríamos assim, das duas uma: ou todos os três grupos que se preparam para disputar a Presidência da República são igualmente sujos e corruptos, ou, o mais provável, “vamos deixar disso” e arquivar tudo. Em um caso e noutro, irresponsáveis, o que os senhores estão fazendo é enterrar a jovem democracia brasileira.

Essa absurda compra de uma refinaria sucateada nos Estados Unidos foi feita em 2006. Por que a mídia só trata desse assunto agora? Aqui mesmo, neste espaço, em outubro do ano passado, falei mal desse absurdo pela enésima vez sem que ninguém desse a menor bola. Por que agora? Explico. Dilma resolveu confrontar o centro da máfia congressual na Câmara dos Deputados, que eu conheço bastante bem e já denunciei mil vezes sem a menor repercussão.

Em Brasília vive-se em uma ilha da fantasia em que a ladroeira é segredo de polichinelo. Todo mundo sabe, por exemplo, como a Petrobras contrata empresas de prestação de serviços e a quem elas pertencem. E todo mundo sabia que Dilma Rousseff demitiu o grande “operador” petista Sergio Gabrielli e por quê. Todo mundo sabia que foi ele quem comprou a tal refinaria no Texas e que a minuta do “negócio” tinha sido levada ao Conselho de Administração sem as cláusulas aberrantes. Todo mundo sabia que em 2008 Dilma revelara toda sua indignação com o que se processara e, mesmo contra outra cláusula aberrante, levou o Conselho a vetar a compra da outra banda superfaturada, que, enfim, só se consumou por ordem da Justiça arbitral americana. Por que só agora o escândalo em horário nobre da (sempre ela) Globo? Por que não se esclarece com a ênfase devida que tudo aconteceu muito antes do governo Dilma?

Atenção, Eduardo Campos e Aécio Neves, saiam dessa armadilha. Ela comerá seus corações e fígados como comeu os de Fernando Henrique Cardoso e os de Lula.

Ou... chega de intermediários! Eduardo Cunha para presidente!

Ipea admite erro em pesquisa sobre violência contra a mulher

Segundo o instituto, 26% dos brasileiros acham que mulheres que exibem o corpo merecem ser estupradas e não 65%, como divulgado anteriormente

por Redação — publicado 04/04/2014 16:39, última modificação 05/04/2014 07:05


A jornalista Nana Queiroz lançou a campanha ‘Eu não mereço ser estuprada’ nas redes sociais após a divulgação da pesquisa

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou nesta sexta-feira 4 um pedido de desculpas no qual admite erros na pesquisa sobre violência contra a mulher divulgada no fim de março e que gerou grandes debates no País, envolvendo até mesmo a presidenta da República, Dilma Rousseff. Segundo o Ipea, Rafael Guerreiro Osorio, diretor de Estudos e Políticas Sociais do instituto e um dos autores do estudo, pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado.

Os dados originais da pesquisa continham dois erros, provocados, segundo o instituto, por uma troca de gráficos em duas das perguntas. As imagens com as porcentagens de respostas estavam invertidas. Uma das perguntas questionava o entrevistado sobre sua concordância com a frase: Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar. A outra era a frase que gerou mais polêmica: Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.

Como os resultados estavam invertidos, na verdade 65% das pessoas concordam com a primeira afirmação, a de que mulheres agredidas que permanecem com os parceiros gostam de apanhar. A porcentagem de pessoas que concorda com a afirmação de que mulheres que usam roupas reveladoras merecem ser atacadas é de 26% e não de 65% como divulgado anteriormente.

Confira a íntegra da nota oficial do Ipea:

Errata da pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”

Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Entre os 3.810 entrevistados, os percentuais corretos destas duas questões são os seguintes:

Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar (Em %)



Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
(Em %)



Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

O outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa, nem tiveram a mesma repercussão. Desfeita a troca, os resultados corretos são os que seguem. Apresentados à frase O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros, 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença Em briga de marido e mulher, não se mete a colher, 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.

A correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres.

Rafael Guerreiro Osorio* e Natália Fontoura
Pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) e autores do estudo

* O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado.

MP analisa denúncia contra Sheherazade


Por Renan Truffi, na revista CartaCapital:

Quase um mês depois da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrar com uma representação contra a apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT, o Ministério Público Federal de São Paulo começou a analisar as denúncias de incitação à violência que teriam sido cometidos pela âncora. Rachel causou polêmica ao defender, no jornal SBT Brasil, que a “ação de justiceiros” que agrediram e amarraram um garoto acusado de roubo ao poste, no Rio de Janeiro, era uma “legítima defesa coletiva”.

O caso foi levado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que afirmou ver a situação com “muita preocupação”. Na opinião dele, em entrevista concedida ao site Congresso em Foco, incitação à violência é crime e, por isso, não se enquadra em liberdade de imprensa. Por conta disso, Janot encaminhou a representação ao Ministério Público de São Paulo, que separou nesta quinta-feira 3 a denúncia em duas partes. Isso porque, além do suposto crime de incitação à violência, a deputada pede no documento a suspensão do envio de verbas publicitárias do governo federal à emissora de Silvio Santos. Dados recentes mostram que o SBT embolsou 153,5 milhões de reais para veicular propagandas do governo em 2012.

A denúncia começou a ser analisada pela procuradora Ryanna Veras, que passou os protestos em relação aos gastos com publicidade para a divisão cível do MPF-SP. Ela optou, no entanto, por não apurar no órgão os crimes que teriam sido cometidos por Rachel Sheherazade, já que seriam responsabilidade do Ministério Público Estadual. Por isso, a representação criminal deve ser repassada ao MPE nos próximos dias, quando isto também será analisado.

Além da representação da deputada do PCdoB, a procuradora Ryanna reuniu e repassou outras quatro representações que já tinham sido feitas sobre o mesmo assunto no órgão. Entre outras coisas, os documentos acusam a âncora de “desafiar o código de ética dos jornalistas e incitar a intolerância, a violência e o crime contra minorias sociais em seu programa”.

Na época, diante do que classificou como desmoralização da polícia e da omissão do Estado, Sheherazade disse na TV que era “compreensível” que o “cidadão de bem” reagisse. Ela chamou o adolescente de marginal e pediu, em tom de deboche, aos grupos em defesa de direitos humanos que estavam com "pena" do garoto para adotarem o “bandido”.

Dilma cai, mas os outros não sobem

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho

Deixando a modestia um pouco de lado, os novos números divulgados na tarde deste sabado pelo Datafolha sobre a corrida presidencial confirmam as previsões feitas esta semana aqui mesmo e no Jornal da Record News: Dilma caiu (de 44 para 38%), mas seus adversários não subiram e, se as eleições fossem hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Os seis pontos perdidos por Dilma são atribuidos pelo instituto ao "pessimismo econômico", resultado de uma blietzkrieg desfechada pela oposição e a mídia aliada nas últimas semanas, colocando o país e a Petrobras à beira de um colapso econômico e administrativo, a tal da crise do fim do mundo anunciada pelos seus principais adversários.

Eles conseguiram atingir um dos seus objetivos, que era o de abalar o franco favoritismo de Dilma, até agora dando um passeio nas pesquisas, mas não foram capazes de transferir os votos perdidos por ela para os oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. Com ampla exposição dos dois na mídia nos últimos dias, o senador mineiro continua com os mesmos 16% da pesquisa anterior e o ex-governador de Pernambuco subiu apenas um ponto, indo de 9 para 10%.

A própria pesquisa acabou induzindo este resultado, ao colocar no questionário várias questões relacionadas a fatos negativos na área econômica antes de perguntar em quem o eleitor pretende votar. Como escrevi aqui, voce pode fazer campanha detonando o adversário ou conquistando votos com suas propostas para fazer um país melhor _ desta segunda parte, os candidatos da oposição até agora não foram capazes.

Mais do que a perda destes seis pontos, que já era esperada, há outros motivos para os estrategistas do Palácio do Planalto acenderem o farol amarelo: para 65% dos eleitores, a inflação vai subir e 63% estão frustrados com a presidente, achando que ela fez menos do que esperavam (um ano atrás eram 34%).

O resultado mais curioso da pesquisa, mostrando que 72% dos entrevistados querem mudanças no governo, revela que o mais indicado para fazê-las é o principal cabo eleitoral de Dilma, o ex-presidente Lula, com 32%. Em segundo lugar, vem Marina Silva, que também não é candidata e deve ser vice de Eduardo Campos. A própria Dilma é a preferida de 16% para fazer estas mudanças e seus adversários não conseguem conquistar os descontentes: Aécio tem 13% e Eduardo vem com 7%.

Bem abaixo dos índices de José Serra, quando faltavam, como agora, seis meses para as eleições, em 2010, Aécio mantem a liderança tucana nos mesmos nichos do eleitorado: os mais ricos e os que têm nível de ensino superior.

Como o Ibope já havia mostrado na semana passada, o Datafolha dá claros sinais de que a presidente Dilma saiu da sua zona de conforto e não pode só continuar jogando na defesa. Por mais fracos que sejam os adversários, Dilma está perdendo terreno para ela mesma, sem que o seu governo reaja, tanto no plano político como no econômico.

Quem sou eu

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Nascido em Nilópolis, graduação em história pela UFMT, pai do Pablo Henrique e da Paola Bianca. Presidente do Comitê Municipal PCdoB-VG. Membro do Comissão Política Estadual. Membro da Comissão de Controle do Secretariado Estadual do PCdoB-MT. Empregado da ECT-Empresa de Correios e Telégrafos.