terça-feira, 25 de março de 2014

Marcha tem apelo à tortura e 'Caça aos Corruptos'

Diferentemente do ato original, nem Deus nem a família compareceram desta vez, com a exceção de dois seminaristas imberbes. Por Laura Capriglione

por Laura Capriglione — publicado 23/03/2014 08:57, última modificação 24/03/2014 16:35

Marcha

Deus não deu o ar da graça na Marcha Com Deus pela Família e a Liberdade 2, realizada no sábado 22 em São Paulo. Se há cinquenta anos a Marcha original contra o comunismo e o governo do presidente João Goulart (1919-1976) contou com o apoio militante dos hierarcas católicos, secundados por milhares de mulheres rezando o terço, a de 2014, contra o PT, Dilma, Lula e, é claro, o comunismo, teve de se contentar com dois seminaristas imberbes – as duas únicas batina vistas —, uma réplica em resina da imagem de Nossa Senhora Aparecida e um pôster barato de Nossa Senhora de Fátima.

A Família brasileira também faltou. Em 1964, centenas de milhares estavam presentes na Marcha. Desta vez, se muito, foi uma marchinha. Segundo a Polícia Militar, cerca de 500 manifestantes reuniram-se na Praça da República (centro de São Paulo), de onde saíram em caminhada para a Praça da Sé. “Dilma e Lula vão pra Cuba que os Pariu”, rezava uma faixa.

Não faltou, entretanto, fervor, fantasia e gritaria. Tinha advogado de PM que participou do Massacre do Carandiru protestando contra uma tal “emasculação da polícia pretendida pelo PT”, militante anti-aborto e anti-gay da organização Pró-Vida (“o PT odeia a família”), homens de terno com aventalzinho (eram maçons golpistas), gente embrulhada em bandeira brasileira, com camisetas militares de camuflagem, carecas (skinheads), uma dupla de lésbicas fascistas com o cabelo cortado à la capuchinho (elas não explicavam por quê), homens vestidos de caubóis texanos (chapelão e botas).

“Intervenção Militar Já” repetiam os oradores da manifestação, que se desfaziam em aplausos e gritos de apoio ao ver o helicóptero da Polícia Militar sobrevoando seu grupo. Ou quando um militar da reserva subia ao palanque para uma peroração anticomunista.


Como a que fez o coronel Ricardo Jacob, da reserva da PM, um dos mais aplaudidos da marchinha, defensor da tortura como método de obtenção de informações: “Porque, na moral, falando, conversando, ninguém fala a verdade”.

Amanda de Jesus Almeida, de 23 anos, estudante de ciências contábeis, lamentou não conhecer o hit parade do hinário cívico brasileiro, ali tocado à exaustão. Diante do Hino da Independência, o “Já Podeis da Pátria Filhos”, ela, que não sabia a letra, reclamava do “nível de ensino”. “Eu não tive aulas de Educação Moral e Cívica. Hoje, nas escolas, a juventude só aprende a ser gay, ateu e a fazer aborto”.


A falta de gente era compensada pela sonzeira que vinha de caixas acústicas poderosas, instaladas em um ônibus pintado de preto e em um trio elétrico igualmente pintado de preto. Repórteres cobrindo a manifestação apelidaram os dois veículos de “caveirões”, alusão aos veículos blindados usados pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, a Tropa de Elite do Rio.

E parecia mesmo. Decorava um dos veículos uma enorme faixa verde e amarela em que se via uma caveira sinistra, sorrindo. Atravessada por dois rifles, a imagem da morte ainda ostentava boina militar bordada com as letras CCC.


Para quem não sabe, CCC é o nome de um organização de extrema-direita que ficou famosa durante a ditadura como tropa de assalto. Em 1968, por exemplo, invadiu e espancou o elenco do espetáculo Roda Viva, que estava em cartaz no Teatro Ruth Escobar. O CCC original queria dizer Comando de Caça aos Comunistas. O de ontem era traduzido por Comando de Caça aos Corruptos.

Foram cerca de 20 execuções do hino nacional, incluindo uma versão em ritmo de forró em um trajeto 1.900 metros entre a República e a Sé. “Não existe nada mais lindo do que isso”, repetia o apresentador do evento, de cima do caveirão.


Gabriela Vitória Alexandre de Souza Lima, 18 anos, estudante de gestão comercial da FMU, cantava com os olhos fechados, mão no peito, como em um louvor religioso. Ela foi ao ato levada pelo pastor da Comunidade Evangélica Paz e Bênção, do Jardim Grimaldi (zona leste), que lhe disse que o PT pretende fechar todas as igrejas evangélicas do Brasil. “Tenho certeza de que a Dilma quer fazer isso como forma de calar o povo.”

Na frente da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, o carro de som exumou a marchinha “Eu te amo meu Brasil”, exaltação do chamado “Brasil Grande” pregado durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici. Senhores na casa dos 60 anos voltaram ao baile da escola. “Foi a aurora da minha vida. Ninguém segura a juventude do Brasil”, emocionou-se Cleide Fonseca Brunoro, 65 anos, camiseta militar camuflada, shorts e botinha de salto. Bem iê-iê-iê.


Mas havia um medo no ar. Ali, bem perto, os comunistas – sempre eles –, os vermelhos, os black blocs, os baderneiros, os petralhas, faziam a sua passeata. Chamada “Antifascista” a manifestação dos esquerdistas juntou mil pessoas segundo a PM. O receio era que as duas turmas se encontrassem em algum ponto. Seria pancadaria certa.

A Marcha com Deus tinha a sua tropa privada de proteção. Carecas musculosos, de coturnos, anéis com a imagem da cruz de ferro (símbolo germânico popularizado durante o nazismo), ataduras na mão direita (à moda da proteção usada pelos lutadores de muai thai), carregando grossos canos de ferro na ponta dos quais penduravam-se bandeiras azuis, andavam em formação nos extremos da caminhada da direita.


Comandava-os com gestos bruscos um fortão com o cabelo liso emplastrado de gumex, franjinha para o lado, escovinha atrás. E um bigode. “Hitler veio?”, provocou o professor Gumercindo Almeida, de 35 anos, quando o caveirão subia a rua Xavier de Toledo aos gritos de “Deus, Pátria, Família”.

Foi uma hora tensa. Dois rapazes magros, camisas brancas abotoadas até o pescoço, abriram na frente da passeata uma enorme faixa preta em que se viam letras góticas brancas. Nazistas também? Os fortões carecas foram ver o que estava escrito. E confundiram-se. De trás para diante, como se em um espelho, a faixa dizia “Esta imagem está invertida”. Era um divertido protesto punk antifascista. Os dois foram postos para correr por um armário humano com camiseta em que se lia: “Brigadas Integralistas”.

As duas passeatas não se cruzaram. Mas os punks anarquistas, em sua luta eterna contra os skinheads a quem chamam de fascistas, não deixaram barato. Já na Sé, um dos caveirões instalado em frente à escadaria da igreja, abriu-se a faixa verde e amarela “O Brasil não é colônia de Cuba”.


Foi então que uma garota punk solitária sacou sorrateiramente o spray vermelho e pichou a faixa. Flagrada, foi correria de savana africana, a menina caçada pelos grandalhões carecas. Mas ela escapou. Ufa!

Porta-voz dos carecas, o jornalista, radialista e pastor evangélico Kleber Ricardo, de 40 anos, dizia que seu grupo retirava inspiração nos ensinamentos de Plínio Salgado (1895-1975), representação do fascismo no Brasil. E prometeu que este foi apenas o primeiro ato. “O bebê nasceu hoje”, fazia-lhe coro o locutor de cima do caveirão.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Brasil e a 'nota' da Standard & Poor’s

segunda-feira, 24 de março de 2014

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:


O noticiário econômico dos últimos dias, afora o que é simples alarmismo, foi positivo.

O PIB surpreendeu os analistas, subindo mais que o esperado.

Os serviços cresceram, a indústria cresceu, a inflação manteve-se sob controle.

O governo dançou direitinho a música do capital, aumentou juros mês após mês, até o nível absurdo a que chegamos.

Mas a fome dos lobos é insaciável e o cordeiro ganhou a mordida merecida.

A tal “agência de risco” Standard & Poor’s baixou a “nota” do país.

Nem é o caso de discutir a seriedade destas agências, que não perceberam a crise de 2008 debaixo do nariz delas.

Ou de lembrar que essa nota foi dada já em pleno governo Dilma, em novembro de 2011, sem que tenha contribuído em nada para a economia brasileira avançar.

Ou ainda que a nota, agora, é a mesma que tínhamos em pleno “boom” econômico de 2010.

A economia, agora, é a política, dir-se-ia aos estúpidos.

A mídia, amanhã, comemorará e cantará a ópera do caos.

“Eu não disse?”

E o povo brasileiro procurará a voz de seus líderes e não a encontrará, como já não encontra há alguns meses.

Ouve-se um uníssono.

E não se ouve a polêmica.

E a política, este blog escreve lá em cima, todas as horas e dias, sem polêmica, é a arma poderosa das elites.

Petrobras e o vale-tudo contra Dilma

segunda-feira, 24 de março de 2014

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Mais cedo do que se esperava, a oposição parlamentar e midiática ao governo de Dilma Rousseff partiu para os golpes abaixo da linha da cintura. Na certa, desesperados pela divulgação das últimas pesquisas de intenção de voto, que reforçam a condição de favorita absoluta da presidenta nas eleições de outubro, os candidatos oposicionistas e suas bancadas parlamentares lançaram mão de uma estratégia própria dos desatinados sem voto : envolver a própria presidenta da República num cipoal de denúncias de irregularidades contra a maior empresa brasileira, a Petrobras.

De quebra, operam pelo desgaste da Petrobras, ignorando tudo que ela representa para o Brasil, especialmente no momento em que a extração de óleo na camada do pré-sal avança a pleno vapor, sinalizando um futuro de melhoria significativa das condições de vida do povo brasileiro. Na verdade, os que exploram política e eleitoralmente o caso Pasadena não se conformam com o regime de partilha e com a não privatização da empresa.

Aqui, cabe um parênteses para o flagrante caso de desonestidade intelectual do esquálido candidato Eduardo Campos, que, para surfar na onda de ataques levianos contra o governo, e, quem sabe, conquistar uns votinhos, insinuou que a real intenção do governo é privatizar a empresa. Tamanho disparate só me faz festejar a mudança de lado do governador de Pernambuco. Ele merece se perfilar junto a tucanos e demos, ao O Globo, à Folha e à Veja.

Ações temerárias e decisões equivocadas de investimento por parte Petrobras devem ser investigadas pelos órgãos responsáveis. Isso é uma coisa, Outra bem diferente é transformar a Petrobras na Geni da vez para suprir a indigência eleitoral e programática da oposição. Usar a Petrobras com esse intuito é fazer mal ao país, é prejudicar negócios vitais para o Brasil, é arranhar a imagem da locomotiva do desenvolvimento brasileiro.

Como se movem pelo mais mesquinho interesse eleitoreiro, pouco importa algumas evidências que saltam aos olhos de quem examina a questão com um mínimo de isenção :

1) Dilma não era presidenta da República, em 2006, quando o Conselho de Administração da Petrobras votou favoravelmente ao investimento em Pasadena. Na ocasião, ela ocupava o cargo de ministra da Casa Civil e presidia o conselho da estatal.

2) Não cabe ao Conselho de Administração a decisão final sobre os investimentos da empresa. O conselho define as diretrizes estratégicas. Acerca do plano de investimentos, o CA funciona, portanto, como um órgão consultivo.

3) As explicações oficiais da presidenta, segundo as quais seu voto teve como base relatórios precários e imprecisos, são corroborados por grande parte dos conselheiros da época, dentre eles o empresário Jorge Gerdau e o insuspeito hoje presidente da Editora Abril, Fábio Barbosa.

4) É absolutamente impossível para uma empresa de tamanho colossal como a Petrobras acertar a mão em todos os investimentos que faz. Tampouco não é razoável supor que seus dirigentes possam blindá-la integralmente contra malfeitos. Uma radiografia de todos os negócios e investimentos da Petrobras ao redor do mundo, certamente indicaria que a maioria esmagadora das operações são exemplos de êxito e trazem vultosos recursos financeiros para o Brasil.

5) Embora a Petrobras tenha enfrentado problemas com sua sócia em Pasadena, o que gerou prejuízos à companhia, não é verdade que ela seja um monumento ao desperdício. Pasadena hoje opera normalmente, produzindo 16 mil barris diários.

terça-feira, 18 de março de 2014

Já está em curso a batalha de 2014

Editorial do sítio Vermelho:

Os embates políticos que se revelaram intensos neste início de ano legislativo, as tensões entre partidos da base de sustentação do governo, as movimentações das principais lideranças oposicionistas, as campanhas da mídia monopolizada para criar artificialmente um clima negativo no país - fatos que têm caracterizado a cena política durante as duas últimas semanas - são reveladores de que o Brasil está diante de uma encruzilhada política. Já está em curso uma aguda e intensa a luta política.

Em cada episódio da conjuntura nacional vão delineando-se os termos dessa encruzilhada: avançar no rumo das mudanças iniciado em 2002 com a primeira vitória eleitoral de Lula – e que tem continuidade hoje sob o governo da presidenta Dilma –, ou retroceder ao neoliberalismo conservador sob o domínio da oligarquia financeira e do imperialismo.

Inevitavelmente o embate político-eleitoral vai intensificando-se mesmo antes de se iniciar a campanha propriamente dita.

As principais lideranças oposicionistas tentam dar o tom do combate e afirmar-se como alternativa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em solenidade organizada na semana passada por seu partido, o PSDB, para comemorar os 20 anos do Plano Real, bateu na tecla de que “é falsa a ideia de que não há alternativa” (à reeleição da presidenta Dilma). Intermitentemente, FHC se sente obrigado a ir a público com tiradas desse tipo, em face do desânimo e da dispersão reinantes em suas fileiras.

O ex-presidente parte do falso diagnóstico de que são evidentes os “descaminhos” do governo Dilma, de que o Brasil vai mal, a insatisfação popular grassa e a coalizão governamental estaria a ponto de se dissolver. Como outros analistas, interpreta com seus desejos e de maneira interessada a constatação feita em sondagens de opinião pública de que o eleitorado brasileiro quer “mudanças”, confundindo esse justo anseio com a rejeição ao rumo que o país vem trilhando.

A expressão desse sentimento de mudança vem de par com a aprovação do governo da presidenta Dilma e com a intenção majoritária de nela votar, para que permaneça por mais quatro anos à frente dos destinos da nação. Assim, a mensagem não permite equívocos. Mudança, no caso, traduz-se por avanço, mais democracia, mais desenvolvimento, mais distribuição de renda, maior papel do Brasil no cenário internacional em defesa da paz e de uma nova ordem política e econômica mundial.

Por seu turno, os pré-candidatos da oposição tentam firmar um discurso político cujo escopo é o desgaste do governo e da mandatária, não raras vezes por meio de agressões verbais gratuitas. O senador Aécio Neves, que não consegue firmar sua candidatura nem empolgar o eleitorado, vem a público clamar contra o “isolamento” do governo, o qual quer estigmatizar como “ufanista”, “autoritário” e “encastelado em quimeras”. Já o governador pernambucano Eduardo Campos, pré-candidato da coalizão formada pelo PSB, o PPS de Roberto Freire e a Rede de Marina Silva, afirmou que a maior autoridade pública do país “não sabe de nada”. Seu discurso procura demonstrar que o governo Dilma se esgotou. “O Brasil não aguenta mais quatro anos com Dilma”, afirmou em ato da sua pré-campanha.

Tudo está a indicar, contudo, que o encastelamento, o alheamento da realidade nacional e do povo são atributos das forças oposicionistas.

Num quadro de dificuldades econômicas resultantes do cenário internacional de crise sistêmica do capitalismo e redução generalizada dos índices de crescimento, o Brasil manteve a economia em desenvolvimento, com patamares modestos mas aceitáveis. Permanecem os níveis de emprego e renda, em constante aumento. Prosseguem as políticas públicas de forte impacto social, mantém-se a valorização do salário mínimo, resiste-se à ofensiva do capital para impor retrocessos na legislação trabalhista. E, para além de tudo isso, a presidenta tem feito esforços para honrar os compromissos assumidos após as manifestações de junho do ano passado. São realidades que nenhum catastrofismo da mídia e dos pré-candidatos oposicionistas poderá desmanchar.

“Sabemos que temos muito a fazer e nossos desafios hoje têm a consistência de um Brasil muito melhor. Queremos afirmar mais uma vez que 2014 será um ano de muitas realizações”, afirmou solenemente a presidenta na posse dos novos ministros na última segunda-feira (17) em Brasília.

Seja como for, a estridência dos pré-candidatos oposicionistas, dos dirigentes de suas cúpulas partidárias e da mídia, demonstra que o país viverá uma renhida disputa política em que as forças progressistas não podem baixar a guarda, antes ao contrário, devem preparar-se para estar à altura dos desafios.

Além da necessária unidade política, há que preparar um discurso político agudo, que cale fundo nos desejos de avanço da maioria esmagadora do povo brasileiro, que pode encontrar sua tradução mais concentrada numa plataforma de luta pelas reformas estruturais democráticas, para que a nação dê novos passos no rumo do aprofundamento da democracia, do reforço da soberania nacional e do progresso social.

domingo, 16 de março de 2014

As reeleições de Lula e Dilma


Poucos se lembram, mas o ex-presidente enfrentou maiores dificuldades em 2006
por Marcos Coimbra — publicado 16/03/2014 00:11Lula


Existem muitas diferenças e algumas semelhanças entre os primeiros mandatos de Lula e Dilma Rousseff. No plano eleitoral, essas são especialmente visíveis no modo como chegaram ao quarto ano e ao início do processo sucessório.

A vitória de Lula em 2006 foi tão significativa e o segundo mandato tão consagrador que tendemos a esquecer as dificuldades que o ex-presidente atravessou naquele ano. Ele sempre liderou as pesquisas, é verdade, e o governo manteve-se majoritariamente aprovado ao longo do período, mas sua posição só se tornou confortável nos últimos meses.

Se tomássemos como estava no fim de fevereiro, constataríamos um quadro nada tranquilizador. O governo tinha uma avaliação positiva de 37%, maior que a negativa, de 22%, mas menor que a soma daqueles que o consideravam “regular”, 39%, segundo dados do Datafolha.

Essa falta de entusiasmo em relação ao governo se manifestava nas intenções de voto: na mesma pesquisa, Lula obtinha 39% na lista em que José Serra, com 31%, aparecia então como a opção do PSDB. Os demais candidatos totalizavam 16%. A chance de o petista vencer no primeiro turno era quase nula.

Nos levantamentos subsequentes, a vantagem de Lula sobre os concorrentes ampliou-se, mas muito pelo fato de Geraldo Alckmin ter sido o escolhido para representar os tucanos. Em março, o ex-presidente tinha 42% e o paulista alcançava 23%. No mês seguinte, a diferença entre os dois permaneceu idêntica. Lula só chegou à marca de 45% em maio, quando deixaram de ser pesquisados os nomes de possíveis candidatos do PMDB, após o partido decidir não lançar um nome.

Como se vê, foi lenta a ascensão de Lula, e deveu-se mais a movimentos internos do sistema político do que ao crescimento do apoio popular à candidatura.

A razão, provavelmente, era a avaliação do governo. Pois, se é fato que os números de fevereiro (embora não fossem maravilhosos) mostrassem expressiva recuperação em relação a dezembro, os meses seguintes foram de interrupção da tendência de melhora.
No fim de 2005, o governo Lula havia chegado a seu pior momento: apenas 28% dos entrevistados o avaliavam positivamente, abaixo dos 29% que o reprovavam. Recompôs-se e foi a 37% em fevereiro. Mas lá empacou: 38% em março, 37% em abril, 39% em maio, 38% em julho. Parecia incapaz de voltar ao patamar de 45%, onde estivera em dezembro de 2004.

Quem acompanha as pesquisas atuais percebe a semelhança com o momento atual. As quatro fases pelas quais Lula passou entre meados de 2005 e a pré-campanha de 2006 repetem-se com Dilma. A presidenta estava em seu máximo no começo de 2013, perdeu boa parte da popularidade entre junho e julho, recuperou-se em agosto, mas sem voltar aos níveis anteriores ao “derretimento”, e parou de melhorar de lá para cá. Sua avaliação e intenção de voto estão “congeladas” desde setembro. O mesmo padrão do ocorrido com Lula.

Em 2006, houve, porém, uma nova fase, inaugurada quando foi dada a largada efetiva da campanha. Mais especificamente, a partir de agosto, ao começar a propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Foi somente quando Lula teve acesso aos meios de comunicação de massa, para mostrar seu trabalho e defender o governo, que as condições de competição se tornaram menos desequilibradas. A intensa campanha da mídia antipetista contra ele e o governo não cessou, mas outro discurso pôde ser exposto aos eleitores.

A avaliação positiva foi a 45% em agosto, 46% no início e 49% no fim de setembro. Continuou a crescer em outubro e chegou a 53%, superior à alcançada por qualquer presidente que o antecedeu, em qualquer momento (dados sempre do Datafolha).
E Lula venceu a eleição.

A lembrança do acontecido em 2006 serve para deixar menos ansiosos aqueles que apoiam a reeleição de Dilma. Tudo considerado, o fato de ela “ter parado de subir” desde agosto de 2013 não parece ser problema grave.

Inversamente, serve para diminuir as esperanças da oposição. Não são apenas Aécio Neves e Eduardo Campos que podem se beneficiar da propaganda eleitoral. Na verdade, como vimos nas disputas pela reeleição, tanto com Fernando Henrique Cardoso em 1998 quanto com Lula em 2006, quem está no governo tende a crescer, pois possui obras a apresentar e argumentos concretos para convencer os eleitores.

Ainda mais quando, como Dilma neste ano, lidera uma coalizão que lhe assegura abundante tempo de televisão

O maior problema de Eduardo Campos




Por Kiko Nogueira, no blog 
Diário do Centro do Mundo:

Eduardo Campos tem dois problemas. Um deles é Marina Silva. O outro, mais complicado, é ele mesmo.

Em Nazaré da Mata (PE), o governador de Pernambuco e virtual presidenciável disse que “não dá mais para ter quatro anos de Dilma. O Brasil não aguenta e o povo brasileiro sabe disso”. Afirmou também, referindo-se a Dilma, que “quem acha que sabe tudo não sabe de nada”.

Numa maratona de encontros em São Paulo, alguns deles ladeado por Marina, voltou à carga. “O arranjo político de Brasília já deu o que tinha que dar”, declarou. Dilma é “autoritária”, “foge do debate”, é “avessa ao diálogo”, vendeu uma imagem de gerente competente “que não se confirmou”, não fez a “faxina ética” que prometeu e “se acomodou” com os escândalos de corrupção” de seu governo. “Há uma crise de expectativa, uma crise política, uma crise econômica”, decretou.

Campos está em campanha e é, até certo ponto, natural ter subido o tom. Não decola nas pesquisas, não acontece, não nada.

Seu novo aliado é Jorge Bornhausen, ex-governador biônico de Santa Catarina, ex-senador e presidente do PFL. Hoje sem cargo, Bornhausen foi fundamental na criação do PSD de Kassab e deu uma mão a Marconi Perillo e Demóstenes Torres até o escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Seu filho, Paulo Bornhausen, filiou-se ao PSB, que de socialista tem o nome.

Mas a grande questão de Campos passa pelas ideias. Onde elas estão? O que ele propõe, enfim?

Silêncio.

A tática de bater é um complemento à esterilidade que ele apresenta em sua conta nas redes sociais - um apanhado de lugares comuns, como “nossa vocação é pensar grande, é trabalhar para que os grandes sonhos e projetos do povo brasileiro virem realidade. É nisso que acredito”; “Só uma economia forte e pujante na sua sustentabilidade pode trazer um futuro melhor para os brasileiros”; “O Brasil precisa de um governo que jogue limpo, que trabalhe duro para defender nossa economia, que é a base da nossa soberania nacional”; “O IBGE divulgou hoje o medíocre PIB de 2013”. E blablablá.

Essa é a “nova política” de Eduardo Campos? No que a histeria ajuda agora? O que ele fez em Pernambuco de tão notável que o credencia a dar aulas? O estado está em 19ª posição no Atlas de Desenvolvimento Humano, aliás. Um empresário paulista que se mudou para o Recife teve dificuldades de registrar a empregada porque ninguém - ninguém - faz isso por lá.

É de uma miopia abissal. Ao invés de Bornhausen, Campos podia ser apresentado a gente como, por exemplo, Mujica ou o papa Francisco, dois reformadores e renovadores políticos. Um excelente template. Ou a alguém à direita com um conjunto de propostas. Qualquer coisa. O que o Brasil não aguenta - como ele diz - é o mais do mesmo que ele representa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Julier inicia processo de exoneração e deve definir futuro hoje

O magistrado se reúne agora às 11 horas com a cúpula estadual do PCdoB que pretende levar o seu nome junto à direção nacional amanhã em Brasília

PABLO RODRIGO 


Na mesma semana em que o governador Silval Barbosa (PMDB) anunciará se permanece no governo ou sai para disputar o Senado Federal, o juiz federal Julier Sebastião da Silva também pretende definir o seu político. Com a certeza de que irá deixar a magistratura, mas com receio de ingressar no PT devido ao racha interno da legenda, o magistrado se reúne agora às 11 horas com a cúpula estadual do PCdoB, que pretende levar o seu nome junto à direção nacional amanhã em Brasília, onde os comunistas estarão em reunião nacional para tratar do processo eleitoral nos Estados.

Julier já iniciou o processo de pedido de exoneração na Justiça Federal. Todos os documentos necessários 
já estão sendo anexados ao pedido que deverá ser protocolado nos próximos dias.

Marcos Lopes/HiperNotícias
Julier já iniciou o processo de pedido de exoneração na Justiça
Federal. Todos os documentos necessários já estão sendo protocolados
Nas últimas semanas, o magistrado tem reavaliado a sua decisão de ingressar ao PT. Os argumentos de Julier, que externou a pessoas próximas, é receio de disputar uma eleição pelo PT, enfrentando ‘fogo amigo’ dentro do próprio partido, como ocorreu em 2010, quando o candidato ao senado Carlos Abicalil (PT), enfrentou uma ala petista comandada pela ex-petista Serys Marli, que fez campanha para o outro candidato ao senado, Pedro Taques (PDT), que acabou sendo vitorioso nas urnas.

Nesta situação atual, Julier teme que os militantes que vem defendendo o nome do ex-vereador Lúdio Cabral (PT), como candidato da sigla, possam fazer uma ‘contra-campanha’, caso Julier saia candidato pelo PT.

Diante do impasse e com o prazo se esgotando para a sua desincompatibilização, Julier vem se aproximando cada vez mais dos comunistas, além de manter diálogo com outras legendas, como PR e o PMDB.

Na reunião desta manhã (10), Julier poderá solicitar que o seu nome seja avaliado e defendido pela direção nacional do PCdoB junto à cúpula de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) e que deverá ser vista com bons olhos pela presidente, já que uma decisão agora poderia por fim a crise interna do PT no estado.

Para firmar candidatura, Julier pode desistir do PT e se filiar no PCdoB

A possibilidade de deixar o PT e se aproximar do PCdoB começa a ser considerada pelo magistrado após Lúdio sinalizar candidatura pelo PT

PABLO RODRIGO 

Para consolidar o seu projeto de disputar o governo do estado, o juiz federal Julier Sebastião da Silva, poderá se afastar do PT e ingressar no PCdoB nas próximas semanas. A possibilidade já começa a ser considerada pelo magistrado como também por parte de algumas lideranças dos nove partidos que compõe o arco de aliança em torno projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), já que o PT está dividido entre Lúdio e o magistrado.

Diante da possibilidade, Julier se reunirá com a direção estadual do PCdoB, que deverá reiterar o convite de filiação na legenda. Caso a filiação de Julier no PCdoB ocorra, a movimentação poderá atrair o PTB e o PP em uma possível aliança majoritária com a ex-senadora Serys Marly (PTB) e o mega-empresário Eraí Maggi (PP), formando uma segunda chapa dentro da base aliada. Outras legendas que se aglutinariam ao magistrado são as que formam o Movimento Ética na Política (MEP), com PSC, PV, PRTB, PRP, PRB, PTdoB, PTC.


Marcos Lopes/HiperNotícias
Para garantir candidatura, Julier pode desistir do PT e voltar PCdoB que já fez convite para filiação do magistrado
No último sábado (1°), Julier e o ex-diretor do DNIT, Luiz Antônio Pagot (PTB), estiveram reunidos em Chapada dos Guimarães, onde a possibilidade foi discutida.

A estratégia seria garantir o segundo turno nas eleições de cinco de outubro, contra o senador Pedro Taques (PDT). O problema desta tática é que caso a base aliada lance duas chapas, a vaga ao Senado Federal praticamente ficaria de ‘mão-beijada’ para o senador Jayme Campos (DEM).

Agora a estratégia pode ganhar força caso o grupo oposicionista surja uma segunda chapa com o PSDB, DEM e o Solidariedade, que vendo sendo construída nacionalmente.

Agora resta saber se o PT conseguirá evitar a construção de outra chapa dentro da base aliada. Para isso, será preciso definir qual será o candidato da sigla para o Palácio Paiaguás que a cada dia fica mais evidente a realização de prévias para evitar mais um possível racha dentro da legenda.

quarta-feira, 5 de março de 2014

PT quer manter as alianças com partidos

Marcos Lemos, redação A Gazeta

O PT nacional está avaliando a candidatura de Julier Sebastião da Silva para sucessão do governador Silval Barbosa (PMDB), mas quer fazê-la dentro do arco de aliança dos partidos aliados e por isso acionou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante e o presidente nacional, Rui Falcão para discutir o assunto sem que isto atropele o entendimento com as demais siglas e seus pretensos candidatos a candidatos.

A Gazeta


Juiz federal Julier Sebastião da Silva
O novo entendimento poderia dividir o arco de alianças em duas postulações, o que precisaria ser analisado para não colocar em risco a possibilidade de vitória do grupo, já que historicamente em Mato Grosso nunca houve 2º turno nas eleições para governador do, só para presidente da em 2002, 2006 e 2010 e para prefeito de Cuiabá em 2004, 2008 e 2012.


O prazo estipulado pelo ainda juiz federal de 15 de março para as Executivas Nacional e Estadual do PT, acendeu a luz amarela no partido que sabe do assédio de outras agremiações para uma eventual candidatura de Julier, principalmente do PCdoB que através do Movimento Ética na Política -MEP, que reúne pelo menos outros cinco partidos como o PV, PRTB, PRP e PTdoB.

Originalmente o MEP tem sete partidos, mas o PRB e o PSC abriram conversações dentro do arco de alianças governista composto pelo PMDB, PT, PR, PP, PSD, PROS e também o próprio PCdoB que participa das conversações por causa da unificação em torno do palanque a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Só que se o PT mantiver a candidatura do ex-vereador Lúdio Cabral como deseja uma das correntes internas, Julier Sebastião da Silva pode ser a opção pelo PCdoB, PTdoB, PRP, PRTB e PV, este último também conversa com o Movimento Mato Grosso Muito Mais do senador Pedro Taques (PDT) mais o PSB, PPS, DEM e PSDB.

O vereador por Cuiabá e candidato a deputado Juca do Guaraná (PTdoB) sinalizou que a agremiação está dentro do MEP e tenta de posicionar no sentido de eleger representantes para o Parlamento Federal e Estadual.

Segundo ele, a idéia da união dos partidos que pedem ética na política é respaldar candidaturas mais comprometidas com os anseios populares. Aloizio Mercadante já conversou com o governador Silval Barbosa (PMDB) que já havia referendado a presidente Dilma a real possibilidade da unidade de todos os partidos governistas ou então a construção de mais de uma candidatura viável, por causa de postulações como de Julier Sebastião ainda sem partido e Lúdio Cabral do PT, além do nome do vice-governador, Chico Daltro (PSD) e dos nomes do suplente de senador Cidinho Santos e do ex-prefeito, Maurício Tonhá, ambos do PR.

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Inscrições para concurso do Mapa vão até dia 13 de março

Redação do R7

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) abriu as inscrições do concurso público regido pelo edital 01/2014, com oferta total de 796 vagas, 46 delas reservadas às pessoas com deficiência. As oportunidades serão para cargos de nível fundamental, médio, técnico e superior e os novos servidores do MAPA farão jus a remuneração que varia entre R$ 2.818,02 e R$ 12.539,38, para uma carga horária de 40 horas semanais.

Cargos
As vagas são para Engenheiro Agrônomo (80), Farmacêutico (13), Químico (22), Veterinário (110), Zootecnista (07), Agente de Atividades Agropecuárias (50), Agente de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal (100), Auxiliar de Laboratório (70), Técnico de Laboratório (184), Administrador (25), Agente Administrativo (110), Bibliotecário (02), Contador (06), Economista (04), Engenheiro (Civil ou Elétrico, 03 vagas), Geógrafo (03), Psicólogo (02) e Técnico de Contabilidade (05).

Inscrições
As inscrições serão realizadas exclusivamente pela página da organizadora Consulplan (www.consulplan.net) até 13 de março de 2014. O valor da taxa de inscrição será de R$ 38,50 para o cargo de nível fundamental, R$ 50 para nível médio e técnico e de R$ 71 para os cargos de nível superior, lembrando que será possível realizar mais de uma inscrição, desde que seja para cargos e turnos distintos.


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Ação da Sefaz combate infrações tributárias

Elayne Mendes, especial para o GD

Vinte e seis termos de Apreensão e Depósito (TADs) e abordagens orientativas voltadas para contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMA) foram lavrados pela equipe de fiscalização volante da Secretaria de Fazendo de Mato Grosso (Sefaz-MT), no município de Jangada (82 km ao Norte de Cuiabá).

A prática de infrações tributárias, como mercadorias sem nota fiscal, mercadorias de produtor rural sendo transportadas com nota manual vencida, mercadorias transitando em local diverso do indicado em documento fiscal, bem como a falta de conhecimento de transporte são autuações que somaram R$ 279,9 mil.

De acordo com a Superintendência de Controle e Fiscalização do Trânsito de Mercadorias (Sucit) da Sefaz, a iniciativa faz parte do planejamento anual de fiscalização que compreende as 4 regiões fiscais do Estado, inclusive a região metropolitana.

Segundo o superintendente da Sucit, Jefferson Delgado, a intenção da ação é coibir a invasão fiscal e auxiliar a conferência física de cargas nos dez postos fiscais de divisa de Mato Grosso com os estados de Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Goiás.

Além da Sucit, a operação contou com o apoio da Polícia Militar de Mato Grosso e com a coordenação da Assessoria Militar presente na Sefaz. (Com assessoria Secom/MT)

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Fonte: http://gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/2/materia/415637/t/acao-da-sefaz-combate-infracoes-tributarias

Imersão na cultura local: Museu de Arte Sacra de MT está com cinco exposições abertas

Foto: Site/ Museu de Arte Sacra de MT
Imersão na cultura local: Museu de Arte Sacra de MT está com cinco exposições abertas; Veja fotos

Depois de quatro dias de folia, celebrando uma tradição cultural bem brasileira, o Carnaval, os foliões podem deixar de lado os abadás e perucas coloridas e mergulhar em um outro tipo de evento cultural: A programação do Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, que conta com cinco exposições, resgatando a história poética, arquitetônica e fotográfica da capital mato-grossense e região.

Às segundas-feiras, a entrada é gratuita. De terça à sábado, a entrada custa R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). O visitante encontrará ao entrar no museu a primeira exposição, que contem uma descrição do patrimônio cultural mato-grossense e brasileiro através da linguagem poética. Pelas palavras de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, dentre outros, as pessoas viajam pelas praças, templos, casarões antigos e museus.



Já a segunda exposição contêm um acervo fotográfico intitulado “Seminário Nossa Senhora da Conceição”, bem como textos com a história desta igreja tradicional de Cuiabá. Os visitantes também encontrarão uma maquete do complexo arquitetônico do Museu de Arte Sacra. Mas para os amantes de literatura regional, a terceira exibição é uma verdadeira preciosidade.

No local onde Dom Francisco de Aquino dormia, foi montada de forma permanente uma representação de seu aposentos. Intitulada “Ilustre morador: Dom Francisco de Aquino”, a instalação também conta com 25 fotografias de momentos solenes de Dom Aquino nas décadas de 20, 30, 40 e 50, com destaque na sua posse na Academia Brasileira de Letras.



Já a 4° e 5° exposições contam, respectivamente, a história da Antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá e das Igrejas do Rosário e São Benedito. Ambas contam com registros fotográficos, sendo que a das igrejas ainda inclui objetos litúrgicos do século XVII e XVIII usados em celebrações.

As exposições estão abertas desde o dia 20 de fevereiro de 2014 e ficarão à disposição do público até 25 de março.Os horários de visitação são das 13h às 19h de segunda à sexta e das 9h às 17h nos sábados. O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso está localizado na Avenida Clovis Hugney - Complexo N. Srª. da Conceição, n°: 239-B, Bairro: Dom Aquino - Cuiabá- MT.


terça-feira, 4 de março de 2014

FHC disse mas não falou

Não satisfeito com a declaração infundada da elevação dos salários do Plano Real, FHC diz que o vigor da mobilidade social que se vê hoje iniciou com ele.


José Carlos Peliano
Arquivo
Mais uma comemoração arranjada, modorrenta e cansativa, para o aniversário do longevo e enterrado Plano Real. Trouxeram de volta das trevas FHC ao Senado Federal com pouca pompa e circunstância, rodeado de velhos aliados, para buscar o encobrimento de recentes e descobertos desmandos, desfeitos e desviões tucanos, conforme escreve Antonio Lassance no Sarcófago do Real.

Como sempre fez, FHC tangencia os fatos, tamborila o que diz, conversa e desconversa da mesma maneira com que procura iludir e tergiversar para tentar se manter incólume, falastrão de suas elocubrações.

Em seguida à bajulação arranjada do Plano Real no Planalto Central, plano que nunca foi dele, mas de uma equipe, nem por ele liderada, mas por Itamar Franco, FHC concede entrevista à Rádio Jovem Pan onde prosseguiu com sua análise de seus feitos nos oito anos que esteve à frente do Palácio do Planalto.

De cara sai com essa: “A grande consequência do Plano Real foi o aumento real dos salários. Houve um salto. Foi o começo dessa mobilidade social que estamos vendo com tanto vigor”. (Trecho publicado no site da UOL de 28/02/2014). Bom, o comentário é como a charada dos personagens populares, o ovo e a galinha; esta diz que veio primeiro, enquanto aquele a contradiz postando-se em sua frente.

De fato, não foram somente os salários, mas as rendas reais tiveram um aumento imediato de 1994, início do Plano Real, a 1995. Em seguida, há uma queda silenciosa mas decidida até os anos de Lula e Dilma, quando à reversão do ritmo declinante segue-se uma tendência de elevação segura e progressiva. Os dados são fornecidos pelo IBGE.

O rendimento médio real mensal de todos os trabalhos soma os salários reais mais rendimentos obtidos de outros trabalhos temporários ou não pelos trabalhadores. Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: 1991-2007. Pois bem, os números abaixo perguntam a FHC de onde ele tirou que foi o Plano Real quem possibilitou o salto para cima dos salários?

Anos..............Rendimento
1994....................996
1995..................1023
1996..................1011
1997..................1003
1998.................. 932
1999.................. 921
2000.................. 899
2001.................. 831
2002.................. 831
2003.................. 869
2006.................. 932
2007.................. 960

Esqueçam, portanto, o que FHC disse. O que ele não falou foi que, fora o salto do rendimento médio real de 1994 a 1995, ocorrido ainda no governo Itamar Franco, de 1995 a 2002, seu período de governo, o rendimento veio de um valor médio real de 1023 para 831. Um decréscimo de 18,8%!

Em todo o período de seu governo, menos de 2001 a 2002, os valores caem ano a ano. Ao contrário dos primeiros anos do governo Lula, onde há dados disponíveis pelo IBGE, quando o mesmo rendimento volta a subir, atingindo um acréscimo de 2003 a 2007 de 15,5%.

É provável que FHC tenha apostado na costumeira memória curta do brasileiro para se jactar da proeza do Plano Real, não lançado por ele mas por Itamar, de ter conseguido elevar os salários reduzindo todos os rendimentos do trabalho!

Pois bem, não satisfeito com a declaração infundada da elevação dos salários do Plano Real, FHC completa dizendo que o vigor da mobilidade social que se vê hoje teve seu começo lá mesmo ... na elevação dos salários! Se não houve elevação do salários como pode ter havido mobilidade social? Só se foi descendente.

Como demonstrado em textos anteriores, a grande marca da mobilidade social recente no Brasil está carimbada pelo Programa Bolsa Família que trouxe para o mercado cerca de 50 milhões de pessoas antes às voltas com atividades meia boca e ocasionais. De renda próxima de zero conseguiram obter renda que lhes garantem subsistência razoável especialmente em regiões mais pobres.

E o Programa Bolsa Família é do governo Lula encampado pelo governo Dilma. Não é, nunca foi, nem a história consignará como do governo FHC, embora ele mesmo já tenha dito e tentado pegar carona, juntamente com alguns de seus diletos seguidores, ao afirmar que o programa teve seus fundamentos elaborados por sua administração.

E a mobilidade recente no país veio também a reboque do aumento do rendimento médio de todo o período Lula e Dilma. A melhoria da renda possibilitou a redução da desigualdade social, esta sim a grande vitória da administração petista. Quem retirou milhões da pobreza, elevou os rendimentos do trabalho e reduziu a desigualdade não fez um Plano Irreal que reduziu os rendimentos, afetou a pobreza e não interferiu na desigualdade!

(*) Economista (doutor/Unicamp)

Aécio Neves é vaiado no Carnaval da Bahia


Depois de receber sonora vaia durante o desfile do Pinto da Madrugada, em Maceió, na sexta, o tucano foi novamente hostilizado, desta vez em Salvador.

Altamiro Borges

Valterio Pacheco


O folião Aécio Neves, cambaleante presidenciável do PSDB, nem pode curtir o carnaval em paz. Na semana passada, ele recebeu sonora vaia durante o desfile do Pinto da Madrugada, em Maceió (AL). Nesta sexta-feira (28), o tucano foi novamente hostilizado, segundo relata o sítio do Jornal do Brasil:


"O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) passou por um momento de constrangedor ao receber o atrasado pré-candidato à presidência da República, o senador Aécio Neves, no camarote oficial da prefeitura municipal, localizado no Campo Grande. Aos chegar acompanhado por diversos quadros políticos da oposição baiana aos projetos federal e estadual dos petistas, a multidão vaiou. Os urros foram silenciados após insistentes pedidos de Baby do Brasil e Paulino Boca de Cantor".

Ainda segundo a reportagem, o tucano até tentou disfarçar a sua raiva, "virou as costas para os foliões e concedeu entrevista". Mas a cena constrangedora deve ter tido o impacto de um bafômetro nas ruas cariocas. Pelo jeito, o carnaval de 2014 não trará boas recordações ao senador mineiro. No mesmo dia, ele soube que não terá palanque no Rio de Janeiro, já que o técnico de vôlei Bernardinho rejeitou seu convite para ser candidato ao governo estadual. Em Minas Gerais, seu Estado de origem - embora pouco visitado - a situação do PSDB também é complicada e a legenda "suplica" por apoio.

No caso da Bahia, os tucanos também não terão chapa própria e Aécio Neves ainda não sabe quem ele vai apoiar - se Paulo Souto, do DEM, ou Geddel Vieira Lima, do PMDB.


Créditos da foto: Valterio Pacheco

O discurso vazio da alternância no poder


O discurso da alternância no poder apareceu na avenida para desfilar na campanha eleitoral. É daqueles carros alegóricos grandes, pomposos e reluzentes.

Antonio Lassance


Arquivo
Nada de alternância, nada de poder, nada de democracia
O discurso da alternância no poder apareceu na avenida para desfilar na campanha eleitoral. É daqueles carros alegóricos grandes, pomposos e reluzentes.
Inconsistentes, feitos de papelão e isopor, cheios de gente para empurrar, por baixo dos panos, e “curtir” como se fosse o suprassumo do espírito democrático.

À frente desse carro alegórico, as duplas de mestres-sala e porta-bandeiras: Eduardo Campos e Marina Silva; Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso.

“O que eu acho é que temos de ter alternância no poder. O PT está há muito tempo no poder”, disse Fernando Henrique Cardoso.

"É importante que todo tempo os partidos possam experimentar governar, fazer oposição", recomendou Eduardo Campos, do PSB.

Se a lógica de FHC for válida, já passou da hora de o PSDB parar de governar São Paulo. Estão lá desde 1995 e depois falam mal do chavismo.

Os 12 anos de PT no Governo Federal são do mesmo tamanho dos 12 anos de PSDB no Governo de Minas Gerais. Também já chega por lá, nas Alterosas?

Pela lógica de Eduardo Campos, se cada partido tem que ficar um tempinho no governo e, depois, na oposição, um dia seremos governados pelo PSC de Marco Feliciano.

Fala-se em alternância como se fosse um princípio democrático. Nunca foi. O princípio democrático fundamental é o da soberania popular. A troca de governantes não é dada pelo “princípio” da alternância, e sim pelo da supremacia da vontade popular.

O povo mantém os governantes se está satisfeito; troca, se achar que há outros melhores para pôr no lugar.

Os discursos que propalam uma alternância no poder não têm nada de alternância e não mexem numa única vírgula das relações de poder.

Aécio e Eduardo Campos já confessaram seus programas. Entoam, em uníssono, o hino para "resgatar o tripé" do Plano Real: metas rígidas de inflação, câmbio flutuante e controle dos gastos públicos.

Enquanto PSDB e PSB falam de tripé, estão mostrando o que são: uma mesmice, embrulhada para presente dentro de um tédio, enfeitada com um laço de monotonia.

No célebre romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, "O Leopardo", o velho aristocrata diz que "é preciso mudar para que tudo continue como está".

Este é o espírito do discurso da alternância que trata o poder e a democracia mais como dança das cadeiras do que como inovação política promotora de transformação social.

Lula e Dilma: uma ruptura ainda em curso


Alternância no poder deveria supostamente significar mudança no poder. O poder muda de mãos para que as novas mãos mudem, em alguma medida, as relações de poder. Do contrário, mudar para quê?

Certamente, não é disso que falam FHC e Aécio. A alternância que pedem é a volta do padrão de desenvolvimento excludente, de baixo crescimento, desemprego em alta, desvinculação de receitas da saúde e da educação, desmonte do Estado, desregulação da economia e uma política externa rebaixada.

Esses eram os fundamentos do Plano Real de FHC, rompidos por Lula. Esse foi o padrão abandonado também durante o governo Dilma. Romperam sem alterar muitas das relações que fogem aos horizontes restritos dos poderes de uma Presidência da República.

Mesmo assim, mexeram com variáveis-chave do jogo político e da estrutura de interesses da sociedade. Do contrário, não haveria tanto ódio de classe contra Dilma, contra Lula, contra o PT e o petismo.

De forma democrática, é preciso décadas para que possam ser feitas grandes mudanças. Interromper tais mudanças no meio do caminho é, na verdade, uma maneira de frustrar a alternância no poder, e não de garanti-la.

Outra maneira de frustrar a verdadeira alternância é o próprio governo desistir de seu programa de mudança no meio do caminho. Se isso ocorrer, pouco valem anos ou mesmo décadas de exercício do poder.

Mais Dilma ou uma outra Dilma?

Pesquisa após pesquisa, fica claro que os eleitores querem mudança. O favoritismo de Dilma, sujeito a oscilações, para mais ou para menos, mostra que o desejo de mudança não necessariamente quer dizer vontade de trocar de partido e de presidenta.

Pode ser Dilma mais uma vez, desde que não seja a mesma Dilma. Assim como o Lula de 2006 não era o mesmo Lula de 2002.

Lula promoveu uma alteração de seu programa do primeiro para o segundo mandato. Fez "o que precisava ser feito" - como ele mesmo gostava de dizer - , nos primeiros quatro anos, e foi muito mais ousado em seu segundo mandato. Primeiro, deu um passo; depois, um salto.

A mesma história de Lampedusa traz outra frase, menos conhecida:

"Uma casa em que já se conhecem todos os cômodos não é uma casa em que valha a pena viver".

O Brasil ainda é uma casa pequena e de muitas portas fechadas. O que se deve mostrar, em uma eleição, é quem tem as chaves para abri-las e a disposição para criar novos espaços que não estejam reservados a uns poucos.

Do lado oficial, está na hora de Dilma preparar sua própria reviravolta, tal como Lula fez entre seu primeiro e segundo mandatos.

Se, como dizia o general grego Xenofonte, estratégia é a arte de surpreender o adversário, ao que parece, ou a estratégia oficial ainda não está preparada, ou está muito bem guardada. Isso a poucos meses das eleições.

Em 2006, quando apareceu a turma da “alternância no poder”, Lula surpreendeu-os na política com uma plataforma de aprofundamento das mudanças. É disso que o Brasil precisa, mais uma vez.


(*) Antonio Lassance é cientista político.

Venezuela: os filhotes da reação

Os vínculos entre os jovens dirigentes estudantis venezuelanos e agências de cooperação de direita vão muito mais além da aliança Otpor/Canvas.

Luis Hernández Navarro

Arquivo
Lorent Saleh é um jovem venezuelano de 25 anos, de língua flamejante, que estudou comércio exterior. É uma das cabeças visíveis da coalizão para derrubar o presidente Nicolas Maduro. Ele dirige a Organização Operação Liberdade, que aponta o castro- comunismo cubano como o principal inimigo da Venezuela.

Lorent começou seu trabalho contra a revolução bolivariana em 2007. Desde então, ele não desiste. Promoveu greves de fome e campanhas para denunciar as “mentiras de Chávez”. Embora tenha abandonadosas salas de aulas há anos, ainda se apresenta como um líder estudantil. E, ainda que não tenha nenhum emprego conhecido, viajar pela América Latina para tentar isolar o governo de Maduro.

O jovem Saleh tem bons amigos em diversos países. Na Colômbia, por exemplo, é cobiçado e promovido pela Aliança Nacionalista pela Liberdade e Terceira Força, agrupações neonazistas (El Espectador, 21/7/2013).

 Vanessa Eisig é uma simpática jovem ruiva de 22 anos, que usa óculos e se descreve em sua conta no Twitter como uma “guerreira de luz e bígama, casada com minha carreira e com a Venezuela”. Estuda comunicação na Universidade Andrés Bello e confessa que, ao participar dos protestos, sente que está fazendo história. Vanessa é militante da Juventude Ativa Venezuela Unida (JAVU). Exige a deposição do “usurpador” Nicolás maduro e de todo o seu gabinete. A organização tem como emblema um punho direito de cor brança que, segundo ela, “é símbolo de resistência e de crítica ao socialismo”.

JAVU, que promove a Operação Liberdade, desempenhou um papel relevante nos distúrbios de rua das últimas semanas na Venezuela. Fundada em 2007, a organização se define como uma plataforma juvenil de resistência, que busca derrubar os pilares que sustentam um governo que “menospreza a Constituição, atinge nossos direitos e entrega nossa soberania ao comando dos decrépitos irmãos Castro”.

Em seu comunicado de 22 de fevereiro deste ano, a JAVU denunciou que forças estrangeiras sitiaram militarmente a Venezuela. “Seus mercenários nos atacam de maneira vil e selvagem. Seu objetivo é nos escravizar”. Para conseguir sua liberdade, assinalam, é vital defender a soberania da nação expulsando os comunistas cubaos que estão usurpando o governo e as Forças Armadas.

A JAVU está inspirada e mantém estreita relação com Otpor (Resistência) e com o Centro para a Aplicação de Ações e Estratégias Não-Violentas (Canvas, na sigla em inglês). Otpor foi um movimento estudantil criado na Sérvia para remover do governo o presidente Slobodan Milósevic em 2000, que recebeu financiamento de agências governamentais dos Estados Unidos. Canvas é a face renovada de Otpor.

  O guru desses grupos é Gene Sharp, que reivindica a ação não violenta para derrubar governos. Sharp fundou o Instituto Albert Eisntein, promotor das chamadas revoluções coloridas em países que não estão alinhados aos interesses da OTAN e de Washington.

Documentos divulgados por Wikileaks tornaram público que Canvas – presente na Venezuela desde 2006 – elaborou para a oposução desse país um plabo de ação, no qual propõe que os grupos estudantis e os atores não formais são os mais capacitados a construir uma infraestrutura e explorar sua legitimidade na luta contra o governo de Hugo Chávez.

A relação entre JAVU, Otpor e Canvas é muito estreita. Como confessou Marialvic Olivares, militante de um grupo de extrema direita: as organizações internacionais que estão nos ajudando neste momento sempre estiveram conosco, não somente apoiando os protestos, mas também ajudando na formação. Sempre nos estenderam a mão. Não temos vergonha nem medo de dizê-lo.

Mas os vínculos entre os jovens dirigentes estudantis venezuelanos e os think tanks e agências de cooperação de direita vão muito mais além da aliança com Otpor/Canvas. Diversas fundações estadunidenses financiam abertamente o movimento dissidente. Também contam com o apoio do Partido Popular, da Espanha, e da organização de juventude de Silvio Berlusconi, da Itália.


É o caso do jovem advogado Yon Goicoechea, estrela rutilante dos protestos de 2007, e que agora estuda na Universidade Columbia, depois de se filiar ao partido de Henrique Capriles e de abandoná-lo quando não lhe deram o cargo que queria. Em 2008, foi generosamente recompensado por seu compromisso de luta contra Chávez. O Instituto Cató deu a ele o prêmio Milton Friedman para a Liberdade, no valor de meio milhão de dólares.


Outra força que desempenha um papel relevante na tentativa de derrubar Maduro é o Movimento Social Universitário 13 de Março, organização estudantil que atua na Universidade dos Andes.
Seu dirigente mais conhecido é Nixon Moreno, ex-estudante de Ciências Políticas, acusado de violentar a policial Sofia Aguilar, e que hoje está foragido e exilado no Panamá.

Estes jovens sabem o que fazem: promover a desestabilização política. Recebem financiamento internacional. Militam nas fileiras da extrema-direita e do anticomunismo. São xenófobos. Estão vinculados com organizações neonazistas e conservadoras em vários países. E marcham lado a lado com políticos da direita radical como Leopoldo López, María Corina Marchado e Antonio Ledezma.

Apesar de contar com todos esses apoios, Lorent Saleh, da Operação Liberdade, se lamenta: “Estamos tremendamente sós”. Em parte tem razão. Entre os jovens latinoamericanos não despertam simpatia nem solidariedade. Pelo contrário, suscitam desconfiança e repúdio. É por que sua plumagem está à vista. Sua causa não tem nada a ver com o ideário do movimento estudantil popular mexicano de 1968, por exemplo. Não por acaso, receberam o repúdio público dos estudantes chilenos. Para eles, os filhotes da reação na Venezuela são inaceitáveis.

Tradução:Louise Antonia León

segunda-feira, 3 de março de 2014

A convocação para a segunda edição da "Marcha da Família"

seg, 03/03/2014 - 09:27 - Atualizado em 03/03/2014 - 09:52

Do blog do Altamiro Borges

Sheherazade convoca “Marcha da Família”


Por Altamiro Borges

Saiu neste sábado (1) na coluna de fofocas de Felipe Patury, da revista Época: “No próximo dia 22, em São Paulo, sai da Praça da República rumo à Catedral da Sé a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A original fez, em 1964, percurso semelhante dias antes de o ex-presidente João Goulart ser derrubado. Há 50 anos, a organização coube a então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e a mulheres de empresários. A atual foi convocada pelas redes sociais, recebeu apoio de lideranças evangélicas e, pelo Facebook, da apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT. O grupo diz contar com a simpatia do filósofo Olavo de Carvalho e até de Denise Abreu, a petista que mandou na aviação civil no governo Lula e ficou famosa por sua predileção por charutos”.

De imediato, dei risada! Pensei que era piada carnavalesca. Mas não é. A patética marcha, que relembra a ação dos golpistas em 1964, está marcada para 22 de março e a âncora do SBT, que explora uma concessão pública de tevê, realmente está metida na sua convocação. Em sua página no Facebook, a nova musa de direita conclama seus seguidores: “Gente boa, sempre vou defender a família. Participe da marcha, divulgue, mostre sua defesa em favor dessa instituição criada por Deus”. E Rachel Sheherazade não é ingênua. Ela sabe que a tal marcha nada tem a ver com Deus ou a família, termos usados para enganar os mais ingênuos e tapados. Num dos sítios que convoca a manifestação ficam explícitos os seus objetivos golpistas e fascistóides.
A marcha tem como principal intento exigir “intervenção militar constitucional já”. Entre outras bandeiras, ela prega: “1- destituir a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer; 2- dissolver o Congresso Nacional; 3- prisão de todos os conspiradores por servirem aos interesses estrangeiros através do Foro de São Paulo, uma invasão sigilosa do território nacional executada pelo regime de Cuba através de agentes infiltrados; 4- dissolução de todos os partidos e investigação com punição das organizações integrantes do Foro de São Paulo; 5- Intervenção em todos os governos estaduais e municipais e nos seus respectivos legislativos; 6- combate à corrupção e à subversão; 7- intervenção no STF, cuja presença de ministros simpáticos aos conspiradores é clara e evidente”.

Já um folheto distribuído pelas ruas da capital paulista afirma que “há 50 anos, no dia 19 de março de 1964, nossos pais e avós foram às ruas e conseguiram a redenção do povo brasileiro. Eles tiveram coragem. Agora é a nossa vez”. O panfleto prega “intervenção militar constitucional” e rosna: “Fora o comunismo, o marxismo e as doutrinas vermelhas”; “Não seremos uma nova Cuba nem uma nova Venezuela”. Outro texto critica “a contratação de médicos cubanos e os gastos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil” e conclama: “Todos juntos nas ruas dizendo um não à tirania do PT, em apoio aos irmãos venezuelanos e contra a ditadura esquerdista... Todos em defesa da nossa pátria. Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.

A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens – um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista. Em sua página no Facebook, os fiéis seguidores elogiam sua “coragem” e chegam a lançá-la para disputar cargos eletivos. Amilton Augusto, por exemplo, defende “Joaquim Barbosa (presidente) e Rachel Sheherazade (vice-presidente)”. Elias Machado comenta: “Não sei se ela tem vocação política, mas seria uma ótima opção para presidente”. Já Arthur Roque declara: “Eu apoio a intervenção militar. Somente isto para acabar com esta corja de comunistas. Está na hora do pau! Avante general Heleno, avante Jair Bolsonaro”. Só falta a emissora de Silvio Santos estampar uma convocatória para a "Marcha da Família"!

Silval fica ou Silval sai?

Segunda, 03 de março de 2014, 09h03
O argumento mais consistente dos que defendem o “Silval fica” é de que isso permitiria que ele pudesse entregar as Obras da Copa e as ações do programa Mato Grosso Integrado, entre outros

MIRANDA MUNIZ





Com a aproximação dos prazo para a chamada desincompatibilização, condição que permite ocupantes de cargos públicos disputarem novos pleitos, aumentam as pressões no sentido de se ter uma decisão do governador Silval Barbosa sobre seu futuro político: continuar no mandato, até o final de 2014, ou renunciá-lo, até a data de 5 de abril, e disputar o Senado.

Muita tinta já foi gasta em especulações sobre esse dilema. Capas de jornais, artigos, análises de “cientistas” políticos e muito mais já foram produzidos.

Um camarada meu, jornalista em franca ascensão, aposta que “Silval fica”, convicção também externada, em recente artigo, pela brilhante jornalista Marisa Batalha.

Eu, particularmente, se minha anti-religião permitisse, apostaria no “Silval sai”. Entretanto, nesse artigo me reservo no direito de não fazer exercício de futurologia, até porque nunca foi apresentado a uma Bola de Cristal.

O que eu posso afirmar, com convicção, é que o nome do Governador para a disputa ao Senado seria a candidatura mais forte, entre os diversos nomes que poderia ser lançado pelo arco de alianças que dão sustentação à Presidenta Dilma. Na última reunião desse grupo, presenciei a fala de todos afirmando “que se o Silval decidir sair, será o candidato com o apoio de todos”. Pensamento idêntico que tenho em relação à candidatura do senador Blairo Maggi, ao governo. Afinal, são essas duas lideranças políticas que representam diretamente os governos das últimas três administrações. Portanto, nada melhor ter os próprios governantes (um ex) defendendo seus próprios governos.

O argumento mais consistente dos que defendem o “Silval fica” é de que isso permitiria que ele pudesse entregar as Obras da Copa e as ações do programa Mato Grosso Integrado, entre outros.

Cá entre nós, esse é um argumento bastante “chifrim”. Afinal, independentemente do atual Governador “inaugurar” as obras, o que ficará no imaginário do eleitorado é que as obras e as ações são do Governador Silval Barbosa. Ainda mais que, desincompatibilizando-se, o Governo será entre a um aliado e parceiro – o vice-governador Chico Daltro e não para um adversário político. Certamente, em todas as inaugurações o Vice deverá ressaltar o papel do Silval. Fisicamente ele estará ausente (por força da legislação eleitoral), mais certamente será o nome mais falado durante esses eventos.

Além disso, uma boa e inteligente propaganda eleitoral facilmente vincularia essas obras com a figura do (ex)governador. Afinal, o que a lei eleitoral não permite é somente a presença física de candidatos em inaugurações.

Um segundo argumento diz respeito a um suposto “desgaste” do Governador. Isso realmente é um fato. Entretanto, mesmo com todo esse desgaste, pesquisas de intenções de votos apontam o Governador com índices expressivos de apoio, mesmo ainda negando que tenha interesse em disputar a eleição. Além disso, as eleições só ocorreram daqui a 7 meses, tempo suficiente para a conclusão da grande maioria das obras e implementação de ações administrativas em curso, o que deverá apontar outra situação.

Por outro lado, quem seria o grande adversário para o Silval? Pelo que tudo indica, a aliança “Torre de Babel”, liderada pelo ético senador Pedro Taques, já definiu que será o senador Jayme Campos, uma figura inexpressiva no Senado e em plena decadência política que, nas últimas duas eleições, não conseguiu emplacar nem seus candidatos a prefeito em seu “reduto” eleitoral, a sua cidade de Várzea Grande, onde teve que amargar as derrotas de seu irmão (Júlio Campos) e de sua esposa (Lucymar Campos). E o discurso da "ética e da moral", principal bandeira do senador Taques, "casaria" com a campanha do "Campos", o qual responde por diversos processos por improbidade administrativas e outras coisitas más?

Por fim, caso o senador Blairo for candidato ao governo, aí sim, a eleição do Silval para o Senado será uma “grande barbada” ou “mamão com açúcar”, no linguajar cuiabano. Sem dizer que o Silval tem uma disposição incomum para enfrentar o embate eleitoral, basta lembrar que na última, em sua reeleição, iniciou com pouco mais de 3% dos votos e, no final, liquidou a fatura ainda no primeiro turno.

*MIRANDA MUNIZ é agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal e secretário sindical do PCdoB-MT

Vereadores por VG recebem pensão mercê; salários chegam a R$ 20,4 mil


O TCE proibiu a concessão da pensão mercê desde 2010, no entanto, ex-prefeitos ignoraramGlaucia Colognesi

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Assim como acontece com os deputados estaduais, que possuem aposentadorias pelo Fundo de Apoio Parlamentar (FAP), os vereadores por Várzea Grande também recebem regalia questionada na Justiça, denominada pensão de mercê. Recebe este nome porque a palavra mercê, de origem francesa, significa graça, favor e capricho. O benefício é concedido àquelas pessoas que não contribuíram ou contribuíram de maneira insuficiente com o sistema previdenciário. Costuma ser destinado a ex-vereadores, viúvas e órfãos de ex-parlamentares.

Para se ter ideia, enquanto uma cidadã comum precisa contribuir com o INSS durante 30 anos e um cidadão 35 para ter direito à aposentadoria, os vereadores conseguem o valor total de seus proventos parlamentares com apenas quatro mandatos, ou seja, 16 anos de contribuição.

Esse é o caso de pelo menos quatro ex-vereadores e de outros 111 beneficiários. Dentre os ex-parlamentares “agraciados” está o secretário de Governo Walace Guimarães (PMDB), Ismael Alves da Silva. Além do salário de secretário de R$ 9,2 mil e verba indenizatória de R$ 5 mil, Ismael ainda recebe pelo menos R$ 6,2 mil de pensão de mercê, por ter sido vereador por quatro mandatos. Vale destacar que o valor do ônus pode ter sido atualizado.

Os mesmos R$ 6,2 mil também são pagos a outros três ex-vereadores, dentre eles o pai do presidente da Câmara, Waldir Bento (PMDB), Sebastião Fio José da Costa. Ele atuou em cinco legislaturas, contribuindo, assim, 20 anos nesta condição. Este também é o caso dos ex-vereadores João Simão de Arruda, que teve 4 mandatos, e Manoel Gonçalo Micoco de Almeida, legislando por 5 mandatos.

O Tribunal de Contas do Estado proibiu a concessão da pensão desde 2010 (decisão 3826/2010) por entender que este tipo de favorecimento particular, em virtude de ligações pessoais e políticas, viola o artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece a igualdade de todos perante a lei, bem como lesa o patrimônio público. Conforme condenações do TCE, o rombo mensal aos cofres da Câmara é de R$ 300 mil somente com os 115 beneficiários que se tem conhecimento.

A lista é guardada a sete chaves pela prefeitura, Tribunal de Contas e Ministério Público, mas certos nomes já vieram a tona (ver quadro). Alguns recebem a pensão há tanto tempo que se tornou direito adquirido e a Justiça nada mais pode fazer, mas muitos ainda respondem ações judiciais, conforme se vê na busca processual no portal do Tribunal de Justiça sob os códigos 324697 e 79376. Enquanto alguns recorrem na segunda instância, outros não tiveram o processo julgado, como é o caso dos quatro ex-vereadores mencionados.

Por causa da aparente imoralidade da pensão e antes de qualquer decisão judicial, o TCE recomendou ao município, que controla o duodécimo/orçamento da Câmara, que exclua alguns beneficiários da folha de pagamento. A notificação foi ignorada por ex-prefeitos como Jayme Campos (DEM), Murilo Domingos (PR), Tião da Zaeli (PR) e Maninho de Barros (PSD) - o prefeito tampão. Por isso, eles foram multados.

Procurado pela reportagem, Walace não informou, até a publicação desta matéria, se suspendeu ou não os pagamentos. O presidente da Câmara, por sua vez, se mostra favorável ao benefício, ignora ordens do TCE e diz que só suspende pensão de mercê com ordem judicial. “Eu tenho conhecimento de causa sobre isso. Só pago aquilo que está dentro da lei. Que notificações do TCE, que nada. Você tem que cumprir determinações que vem da Justiça. Eu já esclareci ao Tribunal o porquê que eu pago”, afirmou Waldir ao Rdnews.

Acontece que o TCE entende que o pagamento da referida pensão à pessoas pré-determinadas, ainda que prevista em lei municipal, ofende os princípios constitucionais e da administração pública da igualdade e impessoalidade. Há rumores de que apesar de ter sido proíbida em 2010, o benefício foi ofertado aos vereadores da última legislatura (2009/2012). A informação ainda está sendo investigada pela promotora Valnice Silva Santos, da 1ª Promotoria Cível de Várzea Grande.

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Nascido em Nilópolis, graduação em história pela UFMT, pai do Pablo Henrique e da Paola Bianca. Presidente do Comitê Municipal PCdoB-VG. Membro do Comissão Política Estadual. Membro da Comissão de Controle do Secretariado Estadual do PCdoB-MT. Empregado da ECT-Empresa de Correios e Telégrafos.