quarta-feira, 25 de junho de 2014

Abutres, coveiros e goiabas

A campanha nacional e internacional contra o Brasil e os brasileiros disseminou três tipos de detratores do nosso país: abutres, coveiros e goiabas.

Flávio Aguiar



A campanha nacional e internacional contra o Brasil e os brasileiros disseminou três tipos de detratores do nosso país: abutres, coveiros e goiabas.

1. Os abutres

São os mais ideológicos de todos. No plano internacional têm sido puxados por The Economist e Financial Times. Para eles o Brasil se assemelha a uma valiosa cariniça a ser saqueada. O valor da carniça aumentou muito desde as descobertas na camada atlântica do pré-sal. Muitos deles mantém uma pretensa elegância, muito própria para quem gosta de usar ternos de grife no trabalho. Seu estilo preferido é o prosaico analítico, com direito, vez por outra, a certos sarcasmos pesados, que eles vêem como mera ironia, como a de comparar a nossa presidenta a Groucho Marx. Adoram elogiar o México e a Aliança do Pacífico, como “respostas” ao Brasil e o Mercosul. No fundo, no fundo, o que queremé garantir o máximo possível de renda para o capital rentista e a parte do leão das riquezas brasileiras, passadas, presentes e futuras para ele. Às vezes animam gente mais grosseira, como no caso das vaias VIP, no Itaquerão. Mas aí começamos a entrar
no segundo grupo.

2. Os coveiros

De um modo geral, são aqueles detratores que, no fundo, bem no fundo, acham que nasceram no país, na latitude e na longitude erradas, além do fuso horário trocado. Latitude errada: nasceram no hemisfério sul. Longitude errada e fuso horário trocado: a hora da nossa capital não é a mesma de Washington, nem de Londres, nem de Paris. Grosso modo, dividem-se em dois grupos. O primeiro simplesmente detesta o país em que nasceu. Não suporta olhar pela janela e ver bananeiras ao invés de pine trees. Detesta até ver palmeiras ao invés de palm trees. São os detratores de sempre, os que se ufanam da Europa e dos Estados Unidos e que pensam que o nosso povo é desqualificado para ser um povo. Sua abrangência é nacional, mas também aparecem alguns no plano internacional. Ouvi durante seminário recente aqui em Berlim que o Brasil é um país que não tem cultura, só tem música e samba. Não sei exatamente o que a pessoa em questão, que não era brasileira, entendia por “cultura”, “música” e “samba”, mas sei muito bem o que ela entendia por ”Brasil”: um bando de gente nu por fora e por dentro, mais ou menos como os primeiros europeus viam os índios quando chegaram para conquistá-los e dizimá-los. São e serão os coveiros de sempre. O segundo grupo pegou carona na campanha dos abutres. Gosta de falar mal do Brasil de agora, este que aí está, com pleno emprego e melhora na repartição de renda. Quer dar a volta no relógio e no calendário, nos ajustar de novo ao tempo em que pobre era miserável e miserável não era nada. Acha que pode garantir de novo os aeroportos só para si. Mas é um grupo que gosta de falar também em generalidades. Se dentro do Brasil, usa o pronome nós (“nós somos corruptos”, “nós somos violentos”, “nós somos ineficientes”, etc.), mas é um “nós” que tem o valor de “eles”, pois só vale da boca para fora.
É uma verdadeira proeza gramatical. Pois o distinto coveiro deste grupo se apresenta, explícita ou implicitamente, como uma exceção. Os estilos preferidos variam: vão do insulto grosseiro à lamentação sutil. Os coveiros deste grupo costumam ter um alvo preciso, que copiam dos abutres: no momento atual, a eleição de outubro. Já os coveiros do primeiro grupo não têm alvo preciso, a não ser o de fazer compras em Miami (alguns) ou passear de bonde ou ônibus nas capitais europeias enquanto faz campanha contra corredores de ônibus nas cidades brasileiras.

3. Os goiabas

Este é um grupo mais variegado. Seu estilo varia entre a euforia e a lamentação. Mas são plagiadores profissionais. Copiam sem restrição tudo o que lhes é servido pelos abutres e os coveiros. Repetem entusiasticamente: “o gigante acordou em junho do ano passado”. Ou chorosamente: “a Copa do Mundo no Brasil tirou dinheiro das escolas e dos hospitais”. E repetem firmes outras condenações peremptórias, como “a de que os estádios ficarão necessariamente ociosos depois da Copa”. São muito numerosos, barulhentos, tanto dentro como fora do país. Também repetem-se muito entre si mesmos, achando que estão sendo originais. Gostam de dizer que estão “mostrando o verdadeiro Brasil” ao nos detratar como um país imóvel, que não tem entrada nem saída.

Os grupos ficaram martelando – mais os coveiros, os goiabas e, mas com a reza em voz baixa a seu favor vinda dos abutres internacionais e também com as vezes a reza em voz alta dos abutres nacionais – que a Copa não ia dar certo, que seria um fracasso, que os aeroportos iam entrar em colapso, que as cidades (e o metrô de S. Paulo no dia da abertura) iriam parar, etc.

Deram com os burros n’água. Cavaram a própria cova e esqueceram de levar uma escada de saída. Ainda esperam que “algo”, alguma catástrofe, qualquer coisa, aconteça até o final da Copa. Depois deste final, vão tentar uma de duas: se o Brasil ganhar a Copa, vão dizer que o nosso povo é um bando de babacas que só sabem correr atrás da bola quando vêem uma. Se o Brasil perder, vão insistir na ideia de que o governo jogou dinheiro fora. Vamos ver o que vai acontecer.

Antes de encerrar, quero esclarecer que “abutres”, “coveiros”, “goiabas” e até “burros n’água” são apenas metáforas literárias, que não deve ser lidas literalmente. Nada tenho contra os abutres que, como os urubus, ajudam a manter a limpeza no seus espaços; nem contra a operosa classe dos coveiros, tão socialmente valiosos como qualquer outra profissão laboriosa; muito menos contra as goiabas, frutas deliciosas como tantas outras; e certamente na da contra os pacientes burros da vida real, que nada têm de burros. Burros, neste último sentido, apesar de alguns se acharem espertalhões, são os “abutres”, os “coveiros”, e os “goiabas”.

KOTSCHO: "MAIOR LEGADO DA COPA É A FORÇA DO POVO"

Jornalista diz que, há duas semanas, deixou um "país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões", e desembarcou em outro, "bem diferente, sem ter saído do Brasil"; "Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo", afirma Ricardo Kotscho; em seu blog, ele escreve que, como "a canalhice não tem limites", "aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas"



25 DE JUNHO DE 2014 ÀS 16:48

247 - De um "país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões", o jornalista Ricardo Kotscho "desembarcou em outro", num período de duas semanas, "bem diferente, sem ter saído do Brasil". A diferença foi observada por ele após o início da Copa, evento que não seríamos capaz de realizar, segundo as previsões da mídia. No entanto, "como a canalhice não tem limites", tudo corre bem e ninguém pediu desculpas até agora. Leia abaixo seu post, publicado no blog do R7:

Maior legado da Copa no Brasil é a força do povo

Faz duas semanas, deixei um país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões, e desembarquei agora noutro, na volta, bem diferente, sem ter saído do Brasil. Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo.

Fomos retratados como um povo de vagabundos, incompetentes, imprestáveis, corruptos, incapazes de organizar um evento deste porte. Sim, eu sei, não devemos confundir governo com Nação. Eles também sabem, mas, no afã de desgastar o governo da presidente Dilma Rousseff, acabaram esculhambando a nossa imagem no mundo todo, confundindo Jesus com Genésio, jogando sempre no popular quanto pior, melhor.

Estádios e aeroportos não ficariam prontos ou desabariam, o acesso aos jogos seria inviável, ninguém se sentiria seguro nas cidades-sede ocupadas por vândalos e marginais. Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera. Certamente, muitos torcedores-turistas que para cá viriam ficaram com medo e desistiram. Quem vai pagar por este prejuízo provocado pelo terrorismo midiático?

Agora, que tudo é festa, e o mundo celebra a mais bela Copa do Mundo das últimos décadas, com tudo funcionando e nenhuma desgraça até o momento em que escrevo, só querem faturar com o sucesso alheio e nos ameaçam com o tal do "legado". Depois de jogar contra o tempo todo, querem dizer que, após a última partida, nada restará de bom para os brasileiros aproveitarem o investimento feito. Como assim? Vai ser tudo implodido?

A canalhice não tem limites, como se fossemos todos idiotas sem memória e já tenhamos esquecido tudo o que eles falaram e escreveram desde que o Brasil foi escolhido, em 2007, para sediar o Mundial da Fifa. Pois aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas.

Como vivem em outro mundo, distantes da vida real do dia a dia do brasileiro, jornalistas donos da verdade e do saber não contaram com a incrível capacidade deste povo de superar dificuldades, dar a volta por cima, na raça e no improviso, para cumprir a palavra empenhada.

Para alcançar seus mal disfarçados objetivos políticos e eleitorais, após três derrotas seguidas, os antigos "formadores de opinião" abrigados no Instituto Millenium resolveram partir para o vale tudo, e quebraram a cara.

Qualquer que seja o resultado final dentro do campo, esta gente sombria e triste já perdeu, e a força do povo brasileiro ganhou mais uma vez. Este é maior legado da Copa, a grande confraternização mundial que tomou conta das ruas, resgatando a nossa autoestima, a alegria e a cordialidade, em lugar das "manifestações pacíficas" esperadas pelos black blocs da mídia para alimentar o baixo astral e melar a festa. Pois tem muito gringo por aí que já não quer mais nem voltar para seu país. Poderiam trocar com os nativos que não gostam daqui.

Que tal?

DILMA: 'QUEM FAZ CAMPANHA NEGATIVA NÃO TEM PROJETO'

Em discurso duro durante a convenção do PSD de Gilberto Kassab, que oficializou apoio à sua candidatura, presidente Dilma Rousseff cutucou os adversários ao dizer que essa campanha exigirá "serenidade" contra as "provocações, que buscam rebaixar o nível do debate e que buscam acirrar o antagonismo, levando o antagonismo ao nível rasteiro de mentiras e más informações"; presidente afirmou ainda que "uma candidatura que tem muito o que mostrar, que tem muitas ideias para discutir, não precisa fazer campanha negativa"; após ter perdido o apoio do PTB, Dilma condenou aqueles que se aliam por "conveniência", e não por "convicções", e atestou que "essa espécie de esperteza tem vida curta

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25 DE JUNHO DE 2014 ÀS 16:15

247 – Em mais um discurso duro contra seus adversários, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira 25 que só faz campanha negativa quem não tiver projeto político. "Muitos temem a radicalização que pode estar a caminho, mas uma candidatura que tem muito o que mostrar, que tem muitas ideias para discutir, não precisa fazer campanha negativa. Quem precisa fazer campanha negativa é quem não tem projeto, quem não tem propostas para o país e quem não tem o que mostrar", declarou Dilma, durante evento que oficializou o apoio do PSD à sua candidatura.

No mesmo tom que adotou em convenções do PMDB e do PDT, recentemente, Dilma disse que será preciso "serenidade" durante a campanha para não aceitar "provocações". "Esta campanha vai exigir serenidade de nós, para que não aceitemos provocações, que buscam rebaixar o nível do debate e que buscam acirrar o antagonismo, levando o antagonismo ao nível rasteiro de mentiras e más informações", disse a presidente à plateia de dirigentes e militantes do partido de Gilberto Kassab.

Dilma definiu o apoio do PSD como "estratégico" e Kassab como um "homem de palavra". "O Kassab é um homem que, ao mesmo tempo em que defende as suas posições, é sério nos seus compromissos e leal em suas atitudes. É um homem de palavra e é muito importante honrar a palavra empenhada e cumprir compromissos assumidos na política. Cumprir compromissos é absolutamente inegociável na atividade política", disse. A declaração pode ser interpretada como uma provocação ao PTB, que desistiu de apoiar sua candidatura.

Sobre o assunto, ela também deu outras cutucadas, como ao dizer que "lealdade é uma das bases da política feita com grandeza". "Não é subordinação cega. É confiança mútua. É respeito próprio e pelo outro. É zelo rigoroso pela palavra dada e empenhada. Engana-se quem defende a tese que não há compatibilidade entre a lealdade e a política". Dilma criticou os que se aliam por "conveniências", e não por "convicções" e atestou que "esse tipo de esperteza tem vida curta". A aprovação do partido pelo apoio à presidente e aliados foi de 94,73%.

domingo, 8 de junho de 2014

Sou pré-candidato à Deputado Estadual pelo PCdoB-MT

Foto: A partir de ontem (08/06/2014) por decisão dos Comitês  Municipal de Várzea Grande e do Estadual do PCdoB-MT, sou pré-candidato à DEPUTADO ESTADUAL pelo Partido. Com mais de 30 anos de militância sinto-me honrado e preparado para mais essa tarefa, e conto com o apoio das amigas, amigos, parentes e familiares.
#VEMCOMIGO!

A partir de ontem (08/06/2014) por decisão dos Comitês Municipal de Várzea Grande e do Estadual do PCdoB-MT, sou pré-candidato à DEPUTADO ESTADUAL pelo Partido. Com mais de 30 anos de militância sinto-me honrado e preparado para mais essa tarefa, e conto com o apoio das amigas, amigos, parentes e familiares.

sábado, 7 de junho de 2014

A política e a economia de Aécio

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


Me pedem que analise as propostas de Aécio em si tal como formuladas no Roda Viva.

Ao trabalho.

Mais que tudo, Aécio me pareceu tomado por idéias atrasadas em algumas décadas. Essencialmente, ele repete clichês do thatcherismo num momento em que nem os conservadores ingleses se atrevem a fazer isso.

“Medidas impopulares” é a expressão acabada do thatcherismo – a doutrina consagrada por Margareth Thatcher nos anos 1980.

Significa você favorecer o 1% em detrimento dos 99%. Armínio Fraga, o guru de Aécio na economia, é um thatcherista fanático.

Não surpreende que, recentemente, ele tenha dito que o salário mínimo cresceu demais nos anos do PT no poder.

Sabe-se hoje, com a distância de 30 anos no tempo, que a política econômica inspirada em Thatcher – e seguida por FHC em seus dois mandatos – leva a uma brutal concentração de renda.

O livro sensação dos homens públicos e economistas de todo o mundo hoje, O Capital no Século 21, do francês Thomas Piketty, trata exatamente disso.

Ora, o principal problema do Brasil é exatamente a desigualdade de renda. E Aécio vem com uma palataforma que não apenas ignora o problema como, se aplicada, o aprodunda.

É um caso de notável miopia e descolamento da realidade.

Em nenhum momento no programa Aécio usou a expressão “desigualdade social”, como se fôssemos uma Noruega ou uma Finlândia.

Na falta de ideias concretas, ele recorre a platitudes. Falou mais de uma vez no “aparelhamento” do Estado pelo PT.

Ora, que partido em todo o mundo ocupa os cargos públicos com pessoas de outros partidos?

Isso não acontece nem na Escandinávia.

No próprio PSDB, Serra deu cargos a Soninha e filhas no governo paulista. Em uma semana, a pedido do então impoluto senador Demóstenes Torres, Aécio, então governador de Minas, arrumou um emprego na máquina mineira para uma sobrinha de Cachoeira.

FHC deu um cargo vital em seu governo - diretor da Agência Nacional do Petróleo - a seu genro David Zylbersztajn. Bastou Zylbersztajn se separar da filha de FHC para sua posição na ANP ficar insustentável.

Outra platitude é “ética” - o último refúgio dos conservadores brasileiros desde a UDN de Carlos Lacerda.

Aécio, no Roda Viva, mais uma vez trouxe a “ética” ao debate. Ora, se não fosse um programa chapa branca, alguém lhe perguntaria: “Senador, como seu partido concilia ética com a permanência por tantos anos no Tribunal de Contas de SP de alguém como Robson Marinho mesmo depois de ser fartamente comprovado que ele se locupletou com propinas?”

Talvez Aécio pudesse ser convidado por algum jornalista ali no programa também a dizer algumas palavras sobre a conhecidíssima, mas jamais coberta decentemente pela imprensa, compra de votos no Congresso para que FHC pudesse se reeleger.

Mas não foi isso que se viu.

Sem que lhe fosse perguntado, Aécio se declarou contra a regulação da mídia, que chamou pejorativamente de “controle social”.

Ali mais uma vez ele mostrou que confia que o apoio dos barões da mídia - a voz do 1% - vai levá-lo longe na disputa pela presidência.

Ele parece esquecido do que aconteceu com seu antecessor na disputa presidencial, Serra. A despeito de todo o apoio - que culminou no antológico Atentado da Bolinha de Papel do Jornal Nacional - a expedição terminou em lágrimas e em ruínas, à míngua de votos.

Serra entrou nas campanhas certo de que subiria a rampa do Planalto pelas mãos dos amigos donos das empresas jornalísticas e terminou batido até na tentativa de ser prefeito de São Paulo.

Aécio pode seguir um percurso parecido em sua Minas, pelo jeito como vem se comportando.

Lula e Dilma criticam a mídia

Do blog Viomundo:


O ex-presidente Lula disse esta noite (6), num encontro do Partido dos Trabalhadores em Porto Alegre, que as eleições de 2014 serão uma disputa entre dois projetos. Um, que prega a inserção de todos os brasileiros na economia. Outro, que representa aqueles que sofrem do “complexo de vira-latas”, ou seja, que valorizam tudo o que vem dos Estados Unidos e da Europa.

Durante o discurso, Lula criticou a mídia, dizendo que ela não reflete o que se passou no Brasil nos últimos 11 anos.

O ex-presidente disse que a oposição tem dito que o Brasil avançou por conta do esforço pessoal dos brasileiros, não por conta das políticas públicas implantadas desde 2002.

“Por que eles não foram esforçados no governo tucano?”, disse Lula, referindo-se ao período de Fernando Henrique Cardoso entre 1994 e 2002.

Em seu discurso, a presidente Dilma afirmou que, se a vitória de Lula em 2002 foi a da esperança sobre o medo, na campanha de 2014 será a da verdade sobre a mentira e a desinformação.

Foi uma maneira oblíqua de criticar a campanha diuturna da mídia corporativa contra o trabalhismo e contra o seu governo.

“O Brasil soube defender como poucos países do mundo o que interessa, o emprego e o salário dos trabalhadores”, disse Dilma, sobre o que aconteceu depois da crise econômica internacional deflagrada em 2008.

A presidente afirmou que o Brasil remou contra a corrente. Em regime democrático, só na Espanha depois de entrar na União Europeia houve uma redução da desigualdade equivalente à que aconteceu no Brasil desde 2002, lembrou Dilma.

“Todos, sem exceção, melhoraram sua renda”, acrescentou a presidente. Mas os mais pobres e as classes médias tiveram maior crescimento, aduziu. Dilma disse que o processo não se esgotou: “Todos os dados mostram que ele continua e que ele se aprofundou”.

A presidente afirmou também que os ajustes econômicos prometidos pelos tucanos costumam envolver aumento do desemprego, redução do salário e aumento dos juros.

“Eu não fui eleita nem para arrochar, nem para desempregar”, disse Dilma. “Nem para entregar o pré-sal ou para varrar a corrupção para debaixo do tapete”, acrescentou.

A presidente disse que existe uma campanha contra a Copa que, na verdade, é contra o seu governo.

Identificou a campanha com a famosa capa da revista Veja — sem mencionar o nome da revista – de maio de 2011, dizendo que os estádios da Copa, naquele ritmo de construção, só ficariam prontos em 2038.

A presidente disse que há desinformação quando se diz que a Copa está consumindo orçamento da Educação; quando se diz que há perigo de a epidemia de dengue ameaçar turistas nesta época do ano; quando se diz que não vai haver internet nos estádios; que vai haver racionamento de energia elétrica durante a Copa; ou que não haveria novos aeroportos, quando a capacidade de embarque e desembarque foi duplicada.

“Onde está tendo racionamento de água, ninguém fala”, cutucou Dilma, sobre a falta d’água em São Paulo.

Ficou claro que a presidente subiu o tom em relação à cobertura jornalística adversa, focada no negativo, da mídia corporativa.

De manhã, também em Porto Alegre, o ex-presidente Lula participou de um seminário promovido pelo diário espanhol El Pais:

“O que eu vou dizer aqui não saiu na imprensa” – Lula em seminário do El País em Porto Alegre

*****

Junho, 06, 2014

Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta sexta-feira (6) no seminário “Desenvolvimento, inovação e integração regional”, promovido pelo jornal espanhol El Pais. E apontou dados positivos sobre os avanços do pais nos últimos 11 anos, e que em geral as pessoas não conhecem, pois não tem destaque na imprensa.

– “Somos hoje a 7ª economia do mundo, com um PIB que passou de US$ 550 bilhões em 2002 para mais de US$ 2 trilhões e 200 bilhões em 2013.”

– “Temos hoje 370 bilhões de dólares de reservas internacionais”

– “Apenas 9 países do G-20 conseguiram crescer acima de 2% em 2013. E o Brasil está entre eles, com uma taxa de 2,5%. Este não é um resultado desprezível, pois demonstra capacidade de resistir a uma conjuntura adversa.”

– “Nestes quase cinco anos, enquanto 62 milhões de empregos foram destruídos ao redor do mundo, segundo a OIT, o Brasil criou 10 milhões de empregos.”

– “Saímos de 107 bilhões de fluxo de comércio externo para 480 bilhões.”

– “A renda média do povo brasileiro cresceu 33%. E a dos mais pobres cresceu 70%”

– “Quantos países enfrentaram essa crise aumentando a renda e o emprego?

– “Quantos países geraram empregos como o Brasil com sindicatos e imprensa livre?”

– “Qual pais duplicou sua safra de grãos em 11 anos?”

– “Qual foi o pais que duplicou a produção de automóveis em 11 anos?”

ENERGIA E INFRA-ESTRUTURA

– “Que pais saiu de 80 mil para 120 mil megawatts de energia e construiu 30 mil quilômetros de linha de transmissão.”

– “Quantos países oferecem as oportunidades em projetos de infra-estrutura que oferece o Brasil?”

EDUCAÇÃO

– “O Brasil é o país que mais aumentou o investimento público em educação nos últimos anos, de acordo com a OCDE. O Orçamento do MEC passou de R$ 33 bilhões em 2002 para R$ 104 bilhões.

– “Saímos de 3,5 milhões de estudantes universitários, e onze anos depois, temos mais de 7 milhões de estudantes universitários. E precisamos avançar muito mais. Por isso, aprovamos o plano nacional de educação e os 75% dos royalties do pré-sal para a educação.”

O ex-presidente comparou a cobertura internacional do México, que tem sido muito elogiado e a do Brasil. E criticou o tratamento diferente dado aos dois países, não baseado na realidade dos números. “No México está tudo pior que o Brasil. E como eu quero que o México cresça também não estou dizendo isso porque quero o mal do México. Estou dizendo por que (o que sai na imprensa) é mentira.”

Quem sou eu

Minha foto
Nascido em Nilópolis, graduação em história pela UFMT, pai do Pablo Henrique e da Paola Bianca. Presidente do Comitê Municipal PCdoB-VG. Membro do Comissão Política Estadual. Membro da Comissão de Controle do Secretariado Estadual do PCdoB-MT. Empregado da ECT-Empresa de Correios e Telégrafos.