sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ibope: Apesar de perder eleitores, Dilma seria reeleita no primeiro turno

No cenário em que enfrenta o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador Eduardo Campos (PSB), a intenção de voto da presidenta caiu de 43% de março para 39%

por Redação — publicado 17/04/2014 18:37, última modificação 17/04/2014 18:59

dilma

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira 17 mostra que a presidenta Dilma Rousseff (PT) perdeu eleitores. De acordo com a consulta, divulgada pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo, as intenções de voto caíram em todos os cenários.

No cenário em que enfrenta o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a intenção de voto da presidenta caiu de 43% que apresentava em março para 39% agora, em abril. Já no cenário que inclui pré-candidatos dos pequenos partidos, Dilma foi de 40% de intenções de voto em março para 37% em abril.

Já o senador Aécio Neves (PSDB) oscilou de 13% para 14%, enquanto Eduardo Campos (PSB) se mantém com 6%, e o pastor Everaldo (PSC) foi de 3% para 2%. A soma dos demais pré-candidatos que era de 1% em março, agora dá 3%.

Ainda assim, se a eleição fosse hoje, a presidenta seria reeleita no primeiro turno, pois seus 37% de intenção de voto superam a soma de todos os seus adversários (25%). Além disso, as taxas de eleitores que pretendem votar em branco ou anular (24%) ou que não sabem dizer em quem votarão (13%) seguem altas.

No cenário em que enfrentaria Dilma e Campos, Aécio foi de 15% para 16%. Já Campos passou de 7% em março para 8% em abril. A taxa de branco e nulo foi de 25% para 26%.

Quando Eduardo Campos é trocado por Marina Silva como candidata do PSB, a intenção de voto em Dilma também cai. No cenário com os nanicos, a petista foi de 40% para 37%, Marina passou de 9% para 10% (enquanto Campos tem 6%), Aécio foi de 13% a 14%, o pastor Everaldo permaneceu com 2%.

Segundo turno. Quando o assunto é segundo turno, a presidenta continua ganhando de todos os adversários: Dilma venceria Aécio por 43% a 22%; Marina por 41% a 25%; e Campos por 44% a 17%.

A pesquisa foi feita com base em 2.002 entrevistas, realizadas entre 10 e 14 de abril, em 140 municípios de todas as regiões do País. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Graça Foster explica aos senadores compra de Pasadena

Parlamentares, jornalistas e assessores lotaram a audiência que o Senado realizou, nesta terça-feira (15), para ouvir a presidenta da Petrobras, Graça Foster, sobre denúncias de prejuízos para a estatal no negócio de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo ela, o planejamento da compra foi feito numa época em que era necessário ampliar o parque de refino da empresa para processar principalmente o óleo pesado extraído do Campo de Marlin.

A presidenta da Petrobras, Graça Foster. Foto: Tânia Rêgo/ABr

De acordo com Graça, o óleo pesado vale menos e é preciso agregar valor ao produto, o que requer uma refinaria mais complexa. "Seria interessante refinar esse petróleo fora. A orientação era expandir a capacidade de refino em sintonia com mercados locais. Tínhamos que agregar valor ao óleo pesado", explicou.

A executiva lembrou que a refinaria está no maior mercado consumidor de gasolina no mundo, que é os Estados Unidos, onde são consumidos 8,5 milhões de barris por dia. O Brasil consome 736 mil; o Japão, um milhão.

O negócio da Petrobras nos Estados Unidos foi questionado porque, em 2006, a companhia pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria de Pasadena, um valor bem superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US $42,5 milhões. Dois anos depois, uma decisão judicial obrigou a estatal brasileira a adquirir os outros 50% por mais de US$ 800 milhões.

A presidente da Petrobras admitiu que “não há como reconhecer hoje ter sido um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil”, disse, destacando que Pasadena é apenas um dos negócios da Petrobras. “Um bom projeto no início e que se transformou num projeto de baixa probabilidade de retorno”, afirmou.

Graça Foster disse, no entanto, que a refinaria atualmente opera com segurança e, nos três primeiros meses deste ano, apresentou resultado positivo, graças principalmente à melhor performance operacional.

Omissão

Em 2006, a petrolífera nacional pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria de Pasadena, um valor superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões. Dois anos depois, um processo arbitral nos Estados Unidos a levou a adquirir os outros 50% por US$ 820 milhões, devido a um contrato assinado, segundo o qual, se houvesse desentendimento entre os sócios, a Petrobras seria obrigada a ficar com a outra metade.

Segundo a presidenta da Petrobras, quando decidiram fechar o negócio, os conselheiros não foram informados dessa cláusula que obrigava a compra dos outros 50% da refinaria. “Não seguiu para o Conselho (Administrativo) o resumo executivo completo. Não havia menção a cláusulas importantes. Foi aprovada a compra de 50% de Pasadena, uma parceria com o grupo Astra, uma divisão de riscos. Esse foi o objeto do negócio”, explicou, referindo-se às cláusulas que garantiam rentabilidade de 6,9% à sócia Astra Oil e à obrigação de compra da metade da sócia, em caso de discordância sobre investimentos.

Números positivos

Ao apresentar números da empresa, ela disse que a Petrobras teve 1% de aumento no lucro líquido de 2012 para 2013, ao passo que outras concorrentes, como Exxon e Shell, registraram queda de 27% e 39%, respectivamente.

“Elas perderam por causa da queda de produção, da queda de mercado e dos custos elevados. Aliás, esse é um grande problema de todos nós que atuamos no setor”, afirmou Graça Foster, enfatizando que os níveis de investimento estão mantidos no mesmo patamar de outras gigantes do setor e a previsão de produção de 4,2 milhões barris de óleo por dia em 2020 está mantida.

Após a apresentação da presidenta da Petrobras, os senadores fizeram o debate esperado. A oposição criticando a empresa e os governistas defendendo a Petrobras. O senador Aníbal Diniz (PT-AC) apresentou os números que demonstram crescimento de investimentos, produção e lucro da empresa no período de 2002 a 2012. “Números incontestáveis que demonstram que a diretoria tem esmero na condução da empresa”, disse o senador.

Ele disse que há excesso de zelo da presidenta da Petrobras ao admitir que a compra de Pasadena foi um “mau negócio”. Segundo ele, se o negócio hoje parece pouco atraente, na época, através do Conselho (Administrativo), pautado por informações das consultorias, havia viabilidade.

O senador ainda criticou a oposição de “querer bancar de profeta do fato consumado.”

De Brasília
Márcia Xavier
Com Agência Senado

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Oposição tem medo da CPI ampla

Por Miranda Muniz

Recentemente, as ditas “oposições” conseguiram o número de assinaturas para instaurar a tal CPI da Petrobrás, sob o argumento da necessidade de investigar a compra da refinaria da Pasadena (EUA) e outras supostas irregularidades que teriam ocorrido na empresa.

Escondendo por trás desse argumento falacioso, já que todos esses fatos já estão sendo investigados pelo Ministério Público, Polícia Federal e CGU (Controladoria Geral da União), o verdadeiro sentido da referida CPI seria transformá-la num instrumento de campanha política, algo danoso à própria empresa.

Entretanto, por falta de uma articulação mais efetiva, a base governista não conseguiu barrar a tal CPI. Daí, a base resolveu transformar o “limão numa limonada” e, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a maioria dos membros resolveram ampliar a CPI, para também investigar o chamado “Cartel do Metrô de São Paulo”, irregularidades no Porto de Suape e denúncias envolvendo o Ministério da Ciência e Tecnologia, na gestão do PSB.

Isso foi o suficiente para as “oposições” entrarem em pânico. Mesmo antes do plenário da CCJ apreciar o requerimento da CPI e temendo que fosse derrotada com sua ampliação, um grupo de senadores foram até o Supremo Tribunal Federal, no intuito de acioná-lo para evitar que a maioria dos senadores pudesse aprovar uma CPI ampliada. Essa “marcha cívica e ética” até o STF, foi liderada pelos senadores Aécio Neves (PSDB) e Agripino Maia (DEM), entre outros senadores demo-tucano, de braços dados com os senadores Randolfo Rodrigues (PSOL), Pedro Taques e Cristovão Buarque (ambos do PDT).

Depois, na reunião da CCJ, quando pressentiram a derrota, bateram em retirada do plenário, denunciando “golpe”!

O mais engraçado, é que o PSDB esquece que, em 1988, o seu atual guru Fernando Henrique Cardoso (FHC), na época senador do PDMB, defendeu e apoiou a aprovação de uma CPI como objetivo identificar responsabilidades “na administração pública” e em decorrência “de qualquer tipo de corrupção". Portanto, uma “CPI ampliadíssima”, nos mesmos moldes da que foi aprovada na CCJ e que agora, o PSDB de FHC e as demais “oposições” alegam que seria “golpe”.

A palavra final sobre essa polêmica será dada pelo Supremo Tribunal Federal.

Para a “oposição” a CPI só pode valer apenas para questões que envolva diretamente o governo federal. Investigar o “Propinoduto tucano do metro de São Paulo”, que, segundo o promotor de justiça que está apurando o caso, Marcelo Mendroni, envolve “milhões, talvez bilhões”; o superfaturamento do Metro do Distrito Federal (sob o governo do demo José Roberto Arruda) e as denúncias envolvendo o Porto de Suape, na gestão do neo-oposicionista e presidenciável do PSB Eduardo Campos, nem pensar!

Assim, fico bastante claro o caráter ético e moral “seletivo” dos participantes da “marcha cívica até o STF”. Ou como diz o ditado cuiabano: “é o rabudo querendo falando mal de cotó.”

Portanto, entendo que o melhor, até por economia de tempo e dinheiro, é aproveitar a CPI e fazer uma ampla investigação, como bem afirmou o presidente do Senado Renan Calheiros “ora, como o Congresso vai investigar a Petrobrás, e eu acho que deve investigar sim, e não vai investigar o Cartel do Metro de São Paulo, o Porto de Suape, a corrupção que houve com o dinheiro público no Ministério de Ciência e Tecnologia, que pagou inclusive marqueteiros nas campanhas eleitorais? Vamos aproveitar e investigar tudo”.


Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, diretor de comunicação da CTB/MT – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e secretário sindical do PCdoB-MT

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O xadrez eleitoral de 2014

Editorial do jornal Brasil de Fato:

A eleição para a Presidência da República do Brasil em 2014 aos poucos vai ganhando contornos de uma disputa acirrada e decisiva. Acirrada porque as forças neoliberais jogam todas as suas fichas na derrota da presidenta Dilma e, por isso mesmo, nesse momento, fazem uma forte ofensiva contra a imagem do governo federal ao pautarem a CPI da Petrobras. E, decisiva, porque o resultado das eleições presidenciais influenciará diretamente na correlação de forças na América Latina.

O neodesenvolvimentismo vigente nos governos Lula e Dilma não politizou e nem inseriu suas conquistas socioeconômicas em torno de um projeto político vinculado à necessidade de organização de uma base social de massas. Melhorar a vida do povo evitando ao máximo o conflito de classes, nisso consiste o caráter ideologicamente conservador do neodesenvolvimentismo. Não é para menos. Hegemonizada pela burguesia interna e institucionalmente pelo PMDB e aliados, a frente neodesenvolvimentista tem como base um sistema político carcomido, avesso às reformas estruturais pendentes na sociedade brasileira.

O fato é que os governos Lula e Dilma ao não demarcarem suas conquistas dentro de um projeto político com conteúdo ideológico de esquerda, abriram espaço para que as candidaturas oposicionistas disputem com relativa facilidade parte do eleitorado beneficiado com as políticas neodesenvolvimentistas. Mais do que isso. O neodesenvolvimentismo colocou novos personagens na cena política brasileira. Trata-se da recomposição da classe trabalhadora e de uma nova geração de jovens que emergiu nos últimos anos.

A presidenta Dilma e sua candidatura devem priorizar responder às demandas destas forças sociais reoxigenadas que colocam e atualizam demandas históricas da classe trabalhadora. Novas forças sociais que certamente têm o potencial de recolocar na agenda da sociedade brasileira as reformas estruturais pendentes. Não existe vácuo na política. Se a candidatura da presidenta Dilma e seu programa de governo não conseguirem abrir um canal de diálogo com estas forças sociais renovadas, as candidaturas oposicionistas poderão canalizar eleitoralmente, mesmo que na base da retórica, o desejo de aprofundamento das mudanças latente na sociedade brasileira.

A tragédia disso tudo é a pobreza de ideias nesse momento que precede as eleições presidenciais. O pré-candidato do PSDB, o tucano Aécio Neves e seu cabo eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, propõem uma agenda regressiva, neoliberal, para o Brasil com o tal choque de gestão, independência do Banco Central e privatizações. Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (REDE) até o momento estão presos na retórica de que é preciso pensar o Brasil, debater programa, mas de concreto não apresentaram nada. Já a presidenta Dilma encontra-se num dilema. O aprofundamento das mudanças requer medidas estruturais no campo da economia, da distribuição de renda, da democratização da propriedade da terra etc., que certamente entram em rota de colisão com interesses de classes de seus aliados conservadores que giram em torno do PMDB.

Mesmo assim, a tendência é que estas eleições sejam mais politizadas e polarizadas. Não por causa dos candidatos que, sem dúvida, têm preferência pelo marketing eleitoral, mas devido à convergência de dois elementos: novos fatos e iniciativas políticas ocorrerão até outubro e por causa do desejo de aprofundamento das mudanças, latente na sociedade brasileira.

Nesse sentido, recompor a força da esquerda brasileira e canalizar o potencial organizativo da jovem classe trabalhadora e desta nova geração de jovens que saiu às ruas em junho, são tarefas prioritárias para os próximos meses. E o ponto de partida para isso é buscarmos pautar as eleições na perspectiva de combinarmos a luta de massas com a luta pela constituinte do sistema político.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Prefeita em exercício de SP se reúne com Fórum das Mulheres Trabalhadoras




Na manhã desta terça-feira (8), a prefeita em exercício de São Paulo, Nádia Campeão, participou de uma reunião promovida pelo Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT), na sede da CTB na capital paulista.

Nádia ouviu as demandas das sindicalistas e falou sobre as ações da administração municipal neste sentido.

“Avaliamos que para a luta em defesa da emancipação das mulheres trabalhadoras ter repercussão nós devemos fazê-la com mais eficiência em São Paulo”, frisou a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira ao fazer a abertura da mesa de debate.

Segundo a representante da UGT, Cássia Macari, o propósito da audiência com Nádia é justamente o de levar o fórum – composto pela FS, UGT, CTB e NCST – um espaço para fazer o debate sobre as demandas das trabalhadoras.

Pela NCST, Soninha, destacou que a primeira Delegacia da Mulher foi instalada no estado de São Paulo ela acredita que é preciso construir mais políticas públicas para estreitar os laços das centrais sindicais com a prefeitura e falou sobre as campanhas que estão sendo feitas em Brasília no combate à violência contra a mulher no transporte público.

Carmelita Sousa , representando a FS, falou sobre as demandas das mulheres e da importância do trabalho conjunto juntas em prol da defesa das mulheres.

As sindicalistas reivindicaram a criação de um fórum, pela prefeitura de São Paulo, onde todas as centrais sindicais participassem, para discutir a política implementada “trazer a contribuição da classe trabalhadora para discutir autonomia econômica e relações compartilhadas e a violência que as mulheres enfrentam em seu cotidiano”.

Em sua exposição, Nádia Campeão, avaliou que as mulheres avançaram, mas ainda tem um caminho complexo. Sobre o conservadorismo da sociedade brasileira ela citou a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no qual apontou que 65,1% da sociedade culpa a mulheres vítimas da violência sexual por usarem roupas curtas “isso deixou todo mundo de cabelo em pé”, enfatizou. Após a repercussão do estudo o dado foi corrigido para 26%.

Ela abordou em sua fala a presença das mulheres nos cargos de responsabilidade, nas diversas profissões. “Quando comparamos com países da América do Sul têm mais igualdade na questão de participação política das mulheres, para não falar em países da Europa que é quase meio a meio”.

“Estamos procurando abrir mais espaços para esses caminhos da mulher e somar mais com essa luta” destacou ao falar sobre a criação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Ela destacou que é essencial mater diálogo com as mulheres dos sindicatos e das centrais. "Acho a ideia do fórum muito boa queremos que a secretaria seja forte que represente anseios"

Nádia propôs uma ação em resposta à violência no transporte público. “Eu topo ir”, afirmou. Ela sugeriu postos de denuncia nos terminais para que as denúncias de abuso sejam feitas no momento do fato. Podemos cobrar que a prefeitura e o governo do estado fizessem essa campanha com os movimentos.

No fim do encontro Nádia Campeão se comprometeu a levar as reivindicações apresentadas na reunião para a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Denise Motta Dau. “essa parceria é muito bem vinda posso levar essas e outras questões para examinarmos e fazer o contato mais específico com a secretária”, disse.

Portal CTB

Vala Comum: documentário revela o destino dos mortos pela ditadura no Brasil

Em 1994, João Godoy realizou 'Vala Comum', sobre 1.049 ossadas encontradas em uma cova no cemitério Dom Bosco, criado na gestão Paulo Maluf.

Gérson Trajano


Vala comum é uma cova normalmente localizada em cemitérios onde um conjunto de cadáveres não identificados é enterrado sem nenhuma cerimônia, sem o conhecimento dos familiares e sem nenhum registro oficial. Vala Comum é o titulo do filme que João Godoy realizou em 1994 sobre 1.049 ossadas encontradas em uma cova no cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, periferia de São Paulo.

Em princípio, seis presos políticos deveriam estar enterrados nessa vala: Denis Antonio Casemiro, Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva, mas a exumação mostrou o indício de outros desaparecidos políticos.

O documentário de Godoy traz os depoimentos Egle Vannuchi Leme, Felícia Oliveira, Gertrud Mayr, Gilberto Molina e Ivan Seixas. Gilberto é irmão de Flávio Molina, morto em 1971, Ivan é filho de Joaquim Alencar Seixas, que foi preso e torturado junto com o seu pai, e Gertrud é mãe de Frederico Mayr. Já Egle Leme é mãe de Alexandre Vannuchi e Felícia é mãe e Isis Oliveira. Todos assassinados pelo governo militar instalado no Brasil em 31 de março de 1964.

Emocionada, Egle conta que só ficou sabendo que Alexandre estava preso através de um telefonema anônimo. “Foi o meu filho caçula, José Augusto, quem atendeu o telefone, que dizia que Lê – era assim que a gente o chamava lá em casa – estava preso. Se não fosse esse telefonema, nunca saberíamos o paradeiro do meu filho. Ele seria mais um desaparecido político”.

Vannuchi foi detido, torturado e morto nas dependências do DOI-Codi, em março de 1973. Estudante do curso de Geologia na Universidade de São Paulo (USP), militante de esquerda, ligado à Ação Libertadora Nacional (ALN), tinha 22 anos quando foi morto. A versão oficial, divulgada pela imprensa, dizia que ele teria sido atropelado por um caminhão na esquina da rua Bresser com a avenida Celso Garcia, no momento em que tentava fugir de um cerco policial.

“Eles me deram até a placa do caminhão e o nome do motorista, mas testemunhas viram meu filho ser arrastado da cela em que foi torturado, todo ensangüentado”, diz Egle.

Ivan Seixas, filho de Joaquim Seixas, diz que seu pai foi o primeiro preso político a ser enterrado em Perus. “Ele era militante do sindicato dos Petroleiros lá no Rio de Janeiro e quando houve o golpe ele chegou em casa muito exaltado. Neste mesmo ano o regime já mostrava a sua cara. 18 pessoas foram mortas sob tortura, mas a versão oficial é de que elas se suicidaram”, afirma.

Pai e filho foram presos em São Paulo no dia 16 de abril de 1971 na altura do número 9.000 da rua Vergueiro. Foram levados para o Doi-Codi. Nesse mesmo dia, à noite, os militares prenderam sua mãe e suas duas irmãs, que ficaram encarceradas por um ano e meio.

No dia seguinte, 17, os jornais publicaram uma nota oficial com a notícia da morte de Joaquim fora morto durante um tiroteio com a polícia. "Isso foi uma farsa, meu pai foi morto sob tortura", afirma Ivan.

Ao mesmo tempo em que são mostrados os depoimentos, o documentário intercala cenas dos presidentes militares prometendo cumprir as leis, promover o bem geral e a integridade do brasileiro. O filme inclui também cenas de uma propaganda oficial que pretendia vender a imagem de uma país forte e que estava se desenvolvendo. Um "pais que vai pra frente".

Tortura e morte – A partir dos anos 1970 a ditadura civil-militar aperfeiçoa o seu aparato repressivo contra os opositores ao regime. A tortura torna-se prática corriqueira nos interrogatórios e várias pessoas contrárias ao governo são assassinadas. Na maioria dos casos, as mortes são ocultadas e os corpos enterrados como indigentes em valas clandestinas.

O cemitério Dom Bosco foi construído pela prefeitura de São Paulo, em 1971, na gestão de Paulo Maluf e, no início recebia cadáveres de indigentes e vítimas da repressão política. Entidades de defesa dos Direitos Humanos e familiares dos desaparecidos já haviam denunciado a existência de uma vala comum na segunda metade dos anos 1970, mas ela só foi descoberta em 4 de setembro de 1990, na administração da prefeita Luiza Erundina.

A vala encontrada no Dom Bosco é uma escavação que possui a largura de uma retroescavadeira, com cerca de 32 metros de comprimento por 3 metros de profundidade, onde foram depositados sacos plásticos com inúmeras ossadas humanas.

Aliados farão novo apelo a Maggi e PMDB defenderá Julier durante reunião quinta-feira

Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após reunião do dia 31
Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após reunião do dia 31

Representantes de 12 partidos que estão na órbita do governador Silval Barbosa (PMDB) e apoiam a presidente Dilma Rousseff (PT) participam na próxima quinta-feira (10.4), em Cuiabá, de reunião para definição de nomes que disputarão as eleições de outubro.

Serão colocados os postulantes aos cargos de deputado estadual e federal, senador e governador. A grande expectativa é com a possibilidade de o senador Blairo Maggi (PR) confirmar sua pré-candidatura do governo.

Sobre isto, o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) ainda mantém cautela. Mas ele não descarta que o senador acabe cedendo às pressões de partidos aliados para que comande o palanque de Dilma no Estado sendo candidato.

“Ele não confirmou ainda publicamente (se será candidato), mas muitos dizem por aí que ele já decidiu, que ele já confirmou. Vamos aguardar o final dos prazos. Enquanto isso iremos definir nomes fortes e capazes dentro destes 12 partidos que formam nossa aliança”, afirmou.

Segundo apurou o Olhar Direto, o PMDB vai apresentar o nome do ex-juiz Julier Sebastião como postulante ao governo do Estado. Aliás, esta manifestação foi feita publicamente pelo próprio Carlos Bezerra na semana passada.

“O PMDB é o único partido preparado para governar o Brasil e Mato Grosso”, disse Bezerra durante o ato de filiação do ex-magistrado ao PMDB, ocorrido em Brasília.

Ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, os partidos encomendaram uma pesquisa interna para avaliar o potencial dos nomes em disputa, entre eles de Julier, o último pré-candidato ao governo que teve seu nome oficialmente lançado.

Outro ponto que pode pesar na decisão de Blairo Maggi é o resultado da pesquisa Vox Pópuli divulgada semana passada em que o senador Pedro Taques (PDT) obtém ampla vantagem sobre outros nomes em uma eventual disputa sem a presença de Maggi no pleito. Blairo Maggi admitiu pensar em candidatura após a reunião do dia 31 com aliados.

Quem sou eu

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Nascido em Nilópolis, graduação em história pela UFMT, pai do Pablo Henrique e da Paola Bianca. Presidente do Comitê Municipal PCdoB-VG. Membro do Comissão Política Estadual. Membro da Comissão de Controle do Secretariado Estadual do PCdoB-MT. Empregado da ECT-Empresa de Correios e Telégrafos.